Morador da comunidade Costa do Tabocal, área rural e ribeirinha localizada na margem esquerda do rio Amazonas, na zona rural da capital amazonense, Jair conta que começou a sentir fortes dores nas costas enquanto trabalhava.
Com fortes dores nas costas por conta de hérnias de disco, o pescador Jair de Souza da Silva, de 53 anos, não consegue mais trabalhar de há nove meses tenta passar pela perícia médica do INSS (Foto: Paulo Bindá)
Há nove meses, o pescador Jair de Souza da Silva, de 53 anos, aguarda a realização de uma perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Manaus. Sem conseguir trabalhar por problemas de saúde e dependendo da liberação do benefício, ele relata dificuldades para manter as despesas básicas da família.
Morador da comunidade Costa do Tabocal, área rural e ribeirinha localizada na margem esquerda do rio Amazonas, na zona rural da capital amazonense, Jair conta que começou a sentir fortes dores nas costas enquanto trabalhava.
“Apareceu uma dor muito forte nas costas. Vim para a cidade fazer exames e descobri que tenho cinco hérnias de disco, bico de papagaio e artrose. Tenho todos os documentos comprovando”, afirmou.
Segundo ele, os médicos recomendaram o afastamento das atividades devido à gravidade do quadro de saúde.
“Os médicos me aconselharam a procurar meus direitos para receber um benefício, porque não tenho mais condições de trabalhar na função que eu trabalhava. Fica difícil sustentar a família, não tem de onde tirar. Também preciso comprar remédios caros. É muita dor todos os dias. Se sento dói, se levanto dói”, relatou.
Mesmo diante das dificuldades, o pescador afirma manter a esperança. “Confio em Deus que vai dar tudo certo”, disse.
Jair também deixou uma mensagem ao presidente Luiz Benefício da filha autista da dona de casa Francisca Chaves foi suspenso Inácio Lula da Silva, pedindo maior atenção às famílias que dependem dos benefícios previdenciários.
“Ele tem que olhar mais pela gente. Quando precisou da população, nós apoiamos. Hoje, somos nós que precisamos de apoio. Muitas famílias passam dificuldades e não conseguem se manter. O presidente pode ajudar olhando mais para quem precisa de aposentadoria, auxílio-doença e outros benefícios”, declarou.
REDUÇÃO
Enquanto segurados como Jair Silva ainda enfrentam demora, o governo federal comemorou a redução da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que reúne pedidos de aposentadorias, auxílios e pensões.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, a fila de solicitações em todo o País caiu mais de meio milhão nos últimos dois meses e atingiu o menor patamar em 16 meses. Em abril, o número de requerimentos em análise ficou em 2,5 milhões e, até o dia 17 de maio, chegou a 2,3 milhões.
A fila da perícia médica presencial, segundo dados do portal Gov.Br, caiu 30,85% em abril na comparação com à de janeiro deste ano. Caiu de 1,1 milhão para 771 mil. Em abril foram realizadas 511 mil perícias presenciais e outras 473 mil por documentos.
Em Manaus, a equipe de reportagem percorreu agências do INSS ontem e encontrou movimento considerado tranquilo em algumas unidades. Já a agência da Cachoeirinha, conhecida pela alta demanda de perícias médicas, registrou maior fluxo de segurados em busca de atendimento.
‘O benefício da minha filha foi cortado’
Outra situação relatada na agência da Cachoeirinha foi a da dona de casa Francisca Chaves, que procurou atendimento após o benefício da filha Tisany Monteiro, que é autista, ser suspenso em janeiro deste ano.
Benefício da filha autista da dona de casa Francisca Chaves foi suspenso
Sozinha, ela levou a filha até a unidade do INSS em busca de respostas sobre a interrupção do pagamento, que, segundo ela, é essencial para a manutenção do tratamento da criança.
“Queria que o presidente Lula olhasse mais para a gente nessa situação. É um descaso. O benefício da minha filha foi cortado desde janeiro e a gente fica numa situação muito ruim porque ela toma remédio controlado e nós não temos condições de manter os medicamentos”, afirmou.
A mãe relata que espera sair da agência com uma solução para o caso. “Não pode cortar o benefício dela. Minha filha é autista e precisa desse direito para se manter. Ela necessita de acompanhamento constante”, disse.
Diante da divulgação dos números federais, a reportagem questionou gerentes do INSS no Amazonas para entender se a redução da fila já é percebida na prática pelos segurados da capital amazonense. Até a publicação desta matéria, não houve retorno oficial do órgão.
Fila caiu para 2,3 milhões de pedidos
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou nessa quarta-feira que a fila do INSS caiu de 3,1 milhões de pedidos em fevereiro para 2,3 milhões atualmente, incluindo o período que coincide com a troca no comando da autarquia.
Há pouco mais de um mês, o então presidente do INSS, Gilberto Waller, deixou o cargo e foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira. A mudança ocorreu em meio à pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir a promessa de campanha de reduzir a fila de benefícios previdenciários.
Durante os últimos meses, o INSS registrou sucessivos recordes de pedidos acumulados, chegando ao maior patamar em fevereiro, com mais de 3,13 milhões de requerimentos pendentes.