CONGRESSO NACIONAL

Senado derruba resolução do Conanda sobre atendimento a vítimas de violência sexual

Norma orientava atendimento a crianças e adolescentes vítimas de estupro e garantia acesso a direitos já previstos em lei

Agência Brasil
03/06/2026 às 16:31.
Atualizado em 03/06/2026 às 16:31

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (2), a suspensão da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e para a garantia de direitos já previstos na legislação brasileira.

A medida foi tomada por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, de autoria da deputada federal Christiane Tonietto (PL-RJ). Com a aprovação pelo Senado, o texto segue para promulgação.

A resolução do Conanda, aprovada em dezembro de 2024, regulamentava procedimentos relacionados a casos previstos em lei, como gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal.

Relatora da proposta, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) comemorou a aprovação e afirmou que o Senado corrigiu a norma. “Vitória da família. Vitória dos pais. Autonomia e poder familiar garantidos.”

Conanda critica decisão

Após a votação, o Conanda divulgou nota de repúdio e classificou a medida como um retrocesso na proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Segundo o colegiado, a resolução não criava novos direitos, mas apenas orientava a atuação dos órgãos públicos para garantir direitos já assegurados pela legislação brasileira.

“A norma não inovou na ordem jurídica. Apenas disciplinava procedimentos e responsabilidades institucionais voltados à garantia de direitos já assegurados em lei.”

O órgão também afirmou que a derrubada da resolução enfraquece mecanismos de participação social e compromete a atuação da rede de proteção à infância e adolescência.

Governo e entidades reagem

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, criticou a decisão do Senado e afirmou que a medida contraria esforços voltados à proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Organizações que integram a campanha "Criança Não é Mãe" também se posicionaram contra a suspensão da resolução. As entidades defendem que a norma organizava fluxos de atendimento, acolhimento e encaminhamento das vítimas aos serviços de saúde e proteção.

Tramitação acelerada

Antes da votação em plenário, a proposta foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. Um pedido de vista apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RS) foi concedido por apenas uma hora, devido à tramitação em regime de urgência.

No plenário, Damares Alves solicitou a inclusão do projeto como pauta extra da sessão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acolheu o pedido, e a votação simbólica foi concluída em poucos minutos, resultando na suspensão da resolução do Conanda.

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