Alta dos combustíveis

CPI da Petrobras proposta por Bolsonaro é uma 'maluquice', diz deputado

Medida anunciada pelo presidente é vista como uma forma dele tentar se eximir da responsabilidade pelo aumento dos combustíveis

Waldick Júnior
waldick@acritica.com
19/06/2022 às 12:28.
Atualizado em 19/06/2022 às 12:36

Presidente Jair Bolsonaro participou, no sábado (28/6), de uma motociata em Manaus e de um evento religioso no sambódromo (Foto: Phil Lima)

A proposta do presidente Jair Bolsonaro (PL) de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a diretoria da Petrobras, cuja direção foi indicada por ele, foi rechaçada por parlamentares de esquerda, do centro e até de direita. Bolsonaro relevou o plano durante um culto evangélico que participou em Manaus (AM), neste sábado (18). 

“Eles não pensam no Brasil. Virou Petrobras Futebol Clube, para seu presidente, diretores, conselheiros e minoritários”, disse o presidente. E acrescentou “A Petrobras perdeu 30 bilhões. Acredito que, na segunda-feira (20), com a CPI, vai perder outros 30”, ameaçou ele, no dia em que passaram a valer os novos reajustes para gasolina (5,18%) e diesel (14,26%) impostos pela empresa.

Para o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), que é economista e auditor fiscal, o presidente Bolsonaro “querendo livrar o boi dos carrapatos, mata o próprio animal”. Ele criticou a abertura de uma CPI e disse que a culpa do aumento dos combustíveis é do próprio chefe do Executivo.

“O que o presidente está fazendo em relação à Petrobras é uma maluquice, porque ele está misturando tudo para tirar a sua responsabilidade. Se tem alguém responsável pelo aumento do preço do diesel, do gás, dos combustíveis, é ele, que é o presidente da República. Foi ele quem nomeou os diretores da Petrobras, agora ele quer tirar a sua responsabilidade e comete a irresponsabilidade de dizimar o patrimônio da Petrobras”, disse Serafim Corrêa.

O deputado federal José Ricardo (PT-AM), que é da oposição, também rejeitou a ideia. “Bolsonaro é a favor da CPI da Petrobras? Mentira. É a mesma coisa que culpar o ICMS pelo aumento do preço do combustível. Quero ver ele pedir para os deputados do seu partido, seus filhos e apoiadores assinarem o requerimento de CPI”, escreveu o parlamentar no Twitter, neste domingo (19).

O deputado federal Marcelo Ramos (PSD) escreveu em seu perfil no Twitter que demagogia baixa o preço da Petrobras no mercado mas não baixa o preço da gasolina na bomba. "Só existem dois caminhos: mudar o PPI ou conformar com o aumento do combustível. Isso é uma decisão de país, baixar o lucro dos acionistas ou baixar o preço ao consumidor.Tá ficando cada dia mais claro que todo o resto é demagogia barata e os demagogos já estão passando vergonha" disse o deputado para o qual a proposta de CPI é cínica. "O governo e os apoiadores do governo fazendo oposição a política do governo e atacando o presidente da Petrobras indicado pelo governo. É um único caso na história política de oposição a si mesmo", avaliou.

Por sua vez, a deputada estadual por São Paulo, Janaína Paschoal (PRTB), que é aliada do presidente Jair Bolsonaro, também se mostrou contra a abertura da CPI. Segundo ela “salvo algum indício ainda não revelado ao público, não consigo ver elementos para CPI da Petrobras. E mais, não acho sequer conveniente no momento”, disse ela nas redes sociais. 

Já o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) ressaltou que “não vai ser com subsídio, com CPI da Petrobras, com canetada no preço ou reduzindo um pouco a alíquota do ICMS que vamos conter a alta dos combustíveis. Isso tudo é populismo em ano de eleição”, pontuou o parlamentar de direita.

A menção de Kim a subsídio é uma referência à sugestão do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), que tem colocado como melhor saída para o preço dos combustíveis a criação de um fundo amortecedor dos preços a ser pago com os lucros do governo, sócio majoritário da Petrobras. A ideia é defendida pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). 

Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou a proposta de teto do ICMS, fazendo com que estados possam cobrar entre 17% e 18% do imposto estadual sobre os combustíveis. No Amazonas, esse percentual era de 25%, o que deve fazer com que o estado perca R$ 1,2 bilhão por ano de receita fiscal, segundo o secretário de Fazenda do Amazonas (Sefaz), Alex del Giglio.  Os secretários estaduais das 26 capitais e Distrito Federal irão recorrer da medida.

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