sessão plenária

Após ataques de Rosses à Ufam, Zé Ricardo reage e defende estudantes

Vereador do PL criticou manifestações e gestão da Ufam; Zé Ricardo afirmou que universidade deve ser espaço “livre, plural e democrático”

Emile de Souza
06/05/2026 às 16:13.
Atualizado em 06/05/2026 às 17:26

(Foto: Reprodução)

Um dia após ser expulso do campus da Universidade Federal do Amazonas sob gritos de “fascista”, o vereador Coronel Rosses (PL) usou a tribuna da Câmara Municipal de Manaus para atacar a universidade, associar o ambiente acadêmico ao uso de drogas e levantar dúvidas, sem apresentar provas, sobre a aplicação do orçamento da instituição. As declarações foram rebatidas pelo vereador Zé Ricardo (PT), que saiu em defesa de estudantes e professores.

Rosses esteve no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), na tarde de terça-feira (5), acompanhado dos mesmos jovens de extrema direita que, segundo relatos de estudantes, vandalizaram cartazes com manifestações políticas expostos nos corredores da universidade na semana passada.

Durante a sessão plenária, o parlamentar afirmou que a esquerda incentiva a violência e alegou que os cartazes continham “apologia ao nazismo” e imagens suas em formato de “meme”.

(Foto: Reprodução)

“Quem incita violência? É a direita? Quem fomenta e faz apologia ao nazismo? genocida? morte a Israel, viva o Hamas. Então uma professora foi com esse intuito, ela foi ameaçada, ela foi perseguida nas redes sociais até a morte”, declarou.

Críticas à universidade

Em seguida, Rosses criticou a gestão da Ufam, afirmou que há interesses financeiros envolvidos e questionou a aplicação dos recursos da universidade.

“Não tem só ideologia envolvida, tem dinheiro. A Ufam opera hoje com algo de mais de R$ 900 milhões, quase R$ 1 bilhão. Dividido pelo número de alunos, nós chegamos a um custo médio de R$ 37 a R$ 40 mil por aluno, mais de R$ 3 mil por mês”, afirmou.

O vereador também associou o ambiente universitário ao uso de drogas e disse que pretende divulgar vídeos de estudantes em áreas de mata do campus.

“Tudo isso regado a muita maconha. Tinha lugares ali que a gente sentia o cheiro forte da maconha. Inclusive vou mostrar o vídeo de quem estava se escondendo no mato da universidade federal”, disse.

Além das críticas aos manifestantes, Rosses também questionou o ambiente acadêmico e o trabalho desenvolvido pelos professores.

“Quanto tempo será que se perde de estudo para ter esse tipo de comportamento dos estudantes e dos professores? Quantas horas deveriam ter sido usadas para fazer pesquisa?”, afirmou.

Reação da oposição

Em resposta, Zé Ricardo utilizou a tribuna para defender estudantes e professores da universidade. Segundo o parlamentar, os cartazes expostos no campus fazem parte do direito legítimo à livre manifestação.

“O que vimos foi lamentável. Pessoas que estavam exercendo o seu direito legítimo de se manifestar em defesa das cotas raciais, dos direitos das pessoas trans, contra a escala desumana de trabalho seis por um e outros direitos sendo atacados dentro de um espaço que deve ser, acima de tudo, livre, plural e democrático”, declarou.

O vereador também destacou que a universidade é um espaço de debate e formação crítica.

“É assim que se formam profissionais, mas, principalmente, cidadãos e cidadãs conscientes. Quem tenta calar estudantes dentro de uma universidade demonstra não compreender o papel da educação ou, pior, demonstra ter medo dela”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com a Universidade Federal do Amazonas para comentar as declarações do vereador Coronel Rosses. Caso haja posicionamento, a matéria será atualizada.

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