Endividamento

Pelo menos 60% dos amazonenses estão endividados

Segundo o Mapa do Serasa, o percentual de amazonenses adultos com débitos permaneceu na casa dos 50% entre 2021 e 2025. No entanto, foi no último ano que o índice saltou de 53,88% para 58,25%, antes de atingir 60% em março de 2026.

WALDICK JÚNIOR
06/05/2026 às 08:26.
Atualizado em 06/05/2026 às 08:26

(Foto: Arquivo A CRÍTICA)

O endividamento de adultos chegou a 60,10% no Amazonas, em março deste ano, o maior percentual desde novembro de 2021, durante a pandemia de covid-19. O período é o mesmo em que o Mapa da Inadimplência, da Serasa, passou a divulgar os dados de devedores por estado.

Na segunda-feira (4), o governo Lula lançou o Desenrola 2.0, seu programa de renegociação de dívidas que pode conceder descontos de até 90% para ajudar devedores a limparem o nome. A política é uma das bandeiras da gestão federal em um ano eleitoral no qual o endividamento no país atinge 88 milhões de pessoas.

Segundo o Mapa do Serasa, o percentual de amazonenses adultos com débitos permaneceu na casa dos 50% entre 2021 e 2025. No entanto, foi no último ano que o índice saltou de 53,88% para 58,25%, antes de atingir 60% em março de 2026.

“O Amazonas tem muita desigualdade de renda. Você tem a população do interior com uma renda baixíssima, tudo é muito caro, com um custo logístico alto, então o endividamento acaba sendo muito maior”, avalia a economista Denise Kassama.

A especialista considera que o Desenrola 2.0, do governo federal, é uma medida importante para manter a economia aquecida. Com mais da metade da população endividada, o consumo tende a reduzir, afetando as vendas, produção e geração de empregos.

“A ideia é que você não só quite as suas dívidas, mas que as parcelas estejam na capacidade de pagamento das pessoas. A grande causa da inadimplência é porque as pessoas não têm condições de quitar os parcelamentos, então você tendo isso de forma mais organizada consegue organizar também o orçamento doméstico e até ter uma sobrinha para investir, fazer uma poupança ou consumir”, comenta.

ANO ELEITORAL

O lançamento do Desenrola 2.0 é uma das apostas do presidente Lula para fortalecer sua pré-campanha à reeleição no pleito de outubro, segundo o analista político Afrânio Soares, da Action Pesquisas.

“O Desenrola é, na verdade, um programa evidentemente com fins eleitorais, porque vai não só facilitar o saneamento de dívidas, como também vai abonar dívidas abaixo de R$ 100,00, ou seja, a pessoa não poderá mais ser considerada inadimplente. Vai abranger uma camada muito grande da população de uma vez”, afirma.

Ele reforça que a política é importante para reduzir o endividamento das famílias, o que não exclui a busca por retornos do ponto de vista político. Lula continua a enfrentar uma forte rejeição, tendência observada nos últimos mandatos de presidentes no país em meio à polarização.

“O governo atual está precisando sanar a sua rejeição e também frear o avanço da direita e extrema-direita na pessoa do Flávio Bolsonaro, principalmente, que tem subido nas pesquisas e provavelmente vai ser o adversário do presidente Lula no segundo turno”, pontua.

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, são pré-candidatos à presidência nas eleições de outubro: Ronaldo Caiado (PSD); Augusto Cury (Avante); Cabo Daciolo (Mobiliza); Aldo Rebelo (Democracia Cristã); Renan Santos (Missão); e Ciro Gomes (PSDB).

Ministro fala hoje sobre programa

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do programa “Bom Dia, Ministro” hoje. Durante a entrevista ao vivo com profissionais de rádios e portais de várias regiões do país, a partir das 8h, ele vai detalhar o Novo Desenrola Brasil. A iniciativa foi dividida nas seguintes frentes: Desenrola Famílias; Desenrola Fies; Desenrola Rural; e Desenrola Empresas.

A principal frente do programa é o Desenrola Famílias, que tem como público-alvo pessoas com renda até 5 salários-mínimos ou R$ 8.105.

O Desenrola Famílias estabelece, ainda, que as instituições bancárias invistam em educação financeira o montante correspondente a 1% das garantias do programa.

O titular da Fazenda ainda explicará o Novo Desenrola Brasil dentro da perspectiva das empresas, que irá aliviar o acesso ao crédito e melhorar as condições de financiamento com garantias. A proposta é permitir que micro e pequenas empresas substituam dívidas mais caras por linhas com melhores condições, reduzindo o custo financeiro e melhorando o fluxo de caixa.

Mais de 2 milhões de empresas poderão ser beneficiadas por meio de melhorias nas linhas do ProCred e do Pronampe.

O Novo Desenrola Brasil também permite que quem tem saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) possa usar até 20% do valor disponível (ou até R$ 1 mil, o que for maior) para quitar a dívida à vista. O programa ainda prevê o bloqueio, por 12 meses, do CPF de beneficiários para participação em apostas online autorizadas no país. O objetivo é evitar o agravamento da situação financeira durante o período de renegociação.

Veja como aderir ao Desenrola Brasil

Ao anunciar o lançamento do programa, na segunda-feira, o presidente Lula afirmou que o país vem se endividando há anos, desde a pandemia de covid-19, e que a ideia é promover um alívio nas contas.

“Nós queremos que, a partir de agora, vocês e o governo, tratem de cuidar dessa divida com muito carinho para que vocês possam continuar consumindo, comprando o que quiser, mas que também adquiram consciência de que a divida tem que ser feita do tamanho dos passos que a nossa perna pode dar”, afirmou.

O programa oferece crédito para a quitação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos. Estão incluídos débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

As condições preveem descontos que variam de 30% a 90%, juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses, com possibilidade de começar a pagar em até 35 dias. O valor máximo por pessoa é de R$ 15 mil por instituição financeira, já considerando os descontos, com garantia do Fundo Garantidor de Operações.

Podem participar brasileiros com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.

Para aderir, é necessário procurar os canais oficiais das instituições financeiras participantes, onde serão apresentadas as propostas de renegociação disponíveis conforme o perfil do consumidor.

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