Preparativos

Modernidade e afetuosidade marcam ensaio técnico do Boi Garantido

O evento, que aconteceu na noite da última quarta (22), levou todos os itens oficiais à arena para treinar a apresentação no Festival Folclórico de Parintnis

Laynna Feitoza - De Parintins
laynnafeitoza@acritica.com
23/06/2022 às 01:56.
Atualizado em 23/06/2022 às 01:58

Boi Garantido e o levantador David Assayag (Gilson Mello)

“É sempre uma alegria encontrar meu povo, e ver a minha gente cantando de novo”. A toada “Flor de Tucumã”, segunda a ser cantada após a animada “Eu Nasci Para Ser Vermelho”, foi puxada pelo apresentador Israel Paulain, apresentador do Boi-Bumbá Garantido, no ensaio técnico do Boi da Baixa de São José, que começou por volta das 21h15 desta quarta (22). A toada contextualizou a paixão do torcedor encarnado, que lotou a arquibancada vermelha e branca durante os preparativos públicos do projeto de arena do bumbá. 

A apresentação teve a presença de todos os itens oficiais do boi-bumbá, inclusive de Edilson Santana, Márcia Siqueira, David Assayag e Sebastião Jr., os quatro levantadores do touro branco, que se revezaram de forma organizada durante a apresentação. A noite também foi marcada por momentos afetuosos entre os itens e o boi; e por coreografias modernas mescladas a passos tribais, o que ficou a cargo do grupo manauara Gandhicats. 

Boi leva a sombrinha para a Sinhazinha Valentina Coimbra (Gilson Mello)

Início

No começo, Israel chamou um batuqueiro para puxar a Batucada encarnada por meio da tradicional contagem, o que levou a galera ao delírio com a toada “Coração de Batuqueiro”, que veio logo após. A galera começou a dar gritos de guerra quando começou a tocar a toada “Pátria Indígena”, que, com movimentos cheios de simetria, veio coreografada pelo grupo de dança Gandhicats.                                                                    
A apresentação das tribos indígenas aconteceu ao som da toada “Amazônia do Povo Vermelho”, enquanto Israel Paulain falava que “o legado indígena está em cada um de nós”. Márcia Siqueira então adentrou na arena sob a toada “Revolução das Cunhãs”. Depois deste momento, Israel anunciou o levantador Sebastião Jr., que cantou “Eu Nasci Para Ser Vermelho”, enquanto a galera encarnada hasteava a bandeira do Boi e cantava em “acapella”.

Rainha do Folclore Edilene Tavares (Gilson Mello)

O apresentador então chamou o momento que cantou sobre São João Batista, padroeiro das festas juninas, para anunciar a entrada dos itens Coreografia e Grupo Folclórico, puxando a seguir a toada “Viva São João”. Em seguida, Edilene Tavares, Rainha do Folclore, entrou com um adereço que representava uma coroa na cabeça. Minutos depois, os quatro levantadores do bumbá foram em direção à galera vermelha e branca cantando a toada “Boi de Pano”. 

Porta-Estandarte Daniela Tapajós (Gilson Mello)

Com uma evolução enérgica, a Porta-Estandarte Daniela Tapajós atraiu os olhares da galera durante sua performance. Da energia da P.E., o cenário mudou para a singeleza da Sinhazinha Valentina Coimbra, que recebeu sua sombrinha diretamente da boca do Boi Garantido e de pronto seguiu a dar leves rodopios na arena. Ainda em um momento de afeto, o levantador Sebastião Jr. cantou a toada “Vermelho” enquanto abraçava e beijava a testa do bumbá. 

Sinhazinha Valentina Coimbra (Gilson Mello)

A história

Um dos momentos-chave da noite foi a reprodução do “Auto do Boi”, onde é encenada a morte do Boi Garantido. Durante o momento, o bumbá leva um tiro do Pai Francisco, que logo após arranca a sua língua para que a Mãe Catirina coma. Na encenação, o Amo do Boi João Paulo Faria chora a morte do touro branco. Pouco tempo depois, o boi ressuscita. 

O pajé Adriano Paketá entrou segurando um bastão, onde, conforme batia no chão, ditava o ritmo das tribos indígenas. Em seguida, o item interagiu com os Tuxauas. Um momento luminoso se seguiu quando Israel Paulain pediu para que a galera ligasse as lanternas dos seus celulares e a torcida prontamente atendeu, formando uma cortina de luzes na arquibancada vermelha e branca, para cantar novamente “Pátria Indígena”. 

Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira (Gilson Mello)

A toada “Senhor das Águas”, que canta sobre a deusa Uaipê, trouxe no meio das tribos a Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira, que veio dançando com imponência a toada “Isa A Bela”. Logo após a sua apresentação, a item foi saudar a galera vermelha e branca  e foi ovacionada.

Ao fim da apresentação do grupo coreográfico que acompanhava a Cunhã, os dançarinos se deitaram no chão para formar um arco e flecha, que o apresentador dedicou a homenagem a Dom Phillips e Bruno Pereira, jornalista e indigenista mortos no Vale do Javari. 

Um dos momentos finais trouxe a performance individual do Pajé Adriano Paketá, onde anunciaram ser também o momento da avaliação dos itens Ritual, Alegoria e Coreografia. O grupo de dança Gandhicats encenou a tribo de seguidores do Pajé, reverenciado o item no final.     

Pajé Adriano Paketá (Gilson Mello)

                                                                                                                                                                                                                                            

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