Glossário

Festival de Parintins e os significados por trás das palavras indígenas

ACRÍTICA.COM montou um glossário para o internauta ficar por dentro dos significados de algumas palavras dentro do contexto das toadas dos bois Caprichoso e Garantido

Jhonny Lima
online@acritica.com
19/06/2022 às 17:05.
Atualizado em 19/06/2022 às 17:05

(Fotos: Arquivo AC)

Ouvir toadas dos bumbás Caprichoso e Garantido de 2022 é também mergulhar numa imensidão de contos indígenas. Saber que é preciso entender o significado dessas palavras é importante para compreender a história contada/entoada.  

E para ampliar os horizontes dos internautas amantes de boi-bumbá, o ACRITICA.COM separou alguns trechos de toadas e palavras usadas nos álbuns deste ano dos bois Caprichoso e Garantido, para uma melhor compreensão dos significados.

Caprichoso:

Na toada “A Friagem”, do álbum “Amazônia: Nossa luta em poesia”, tem os trechos:  “Não é somente o frio, é Sucaí// Urutaguá, a flauta ecoou// ... A tribo arrodeando a fogueira no rito Tupari// ... de olhos fechados irá caminhar para/ Pabid! Pabid! Pabid!// ... Às margens de Mani-Mani/ teu ventre a consumir// Patobkiá.

Sucaí – É o dono da friagem, senhor do vento para os Tupari;

Urutaguá – conhecido como Urutau, Urutaí e Mãe-da-lua;

Tupari – Grupo indígena que habita o sul do estado de Rondônia, nas áreas indígenas Rio Branco e Rio Guaporé;

Pabid – Morador da aldeia dos mortos. Condição que o indígena Tupari alcança ao morrer;

Mani-Mani – Nome dm rio localizado na frente da aldeia dos mortos, segundo a crença Tupari;

Patobkiá – Pajé superior e cacique da maloca dos mortos para o povo Tupari.

Dedicada à cunhã-poranga (moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã), a toada “Guerreira das Lutas” destaca várias tribos indígenas na letra, exaltando a força da mulher guerreira: 

Ela é munduruku, tupinambá, kayapó, atroari, asurini, zo’é, ela é sateré/ hixkaryana, guerreira, poranga-cunhã, (cunhã!)// ...  Tem a força de yukatã, moldadas pelas mãos/ pela arte, pelas plumas, pelo barro, pelo deus monãg// 

Munduruku: Povo indígena que habita a região do Vale do Tapajós, que nos primeiros tempos de contato e durante o século XIX era conhecida como Mundurukânia;

Tupinambá – Povos indígenas da margem esquerda do rio Tapajós, no Oeste do Pará;

Kayapó – Povo originário da família linguística Jê que vive em aldeias dispersas ao longo dos rios Iriri, Bacajá, Frescos e de outros afluentes do rio Xingu;

Asurini – Povo originário da família linguística Tupi-Guarani que habita os estados de Tocantins e Pará;

Zo’é - Povo originário da família linguística Tupi-Guarani que habita a terra indígena Zo’é nos rios Erepecuru, Cuminapanema e Curuá, no estado do Pará;

Sateré - Povo originário da família linguística Tupi-Guarani que habita os estados do Amazonas e Pará;

Hixkaryana - Povo originário da família linguística Karib que habita os estados do Amazonas e Pará;

Yukatã – Primogênita; primeira mulher presente nas crenças Munduruku;

Manãg – Divindade indígena do povo Maraguá.

 A toada “Maraká’yp é dedicada ao pajé (curandeiro) e está recheada de  palavras indígenas. Confira alguns trechos:

A’e Katu Imarangatua/ Ele é poderoso/ Nhande Djary rayí/ Ele é o filho de Deus// ... Na mente o paricá clareia (ahêa-hê)/ O Maraká’yp/ O tocador, o rezador// ... Maracá chama/ Chama uinxis caruanas//... Uaxi tiapu macucauá / Penaçauá Querimbauá/ Tacaçauá apeiú tauá/ Apiauá maracá//:

A’e Katu Imarangatua – Expressão do cântico Tupi que significa: Ele é poderoso;

Nhande Djary rayí - Expressão do cântico Tupi que significa: Ele é o filho de Deus;

Maraká’yp – Mestre de música;

Uinxis – Espíritos que auxiliam a pajelança (ritual de cura) na crença Huni Kuin;

Caruanas – Forças viventes do fundo das águas, que regem a vida e são incorporados nas pajelanças caboclas na crença Aruã;

Uaxi – Chocalho;

Tiapu – Música, canção;

Macucauá – Dardo feito de taboca;

Penaçauá – Centro, esquina, ângulo;

Querimbauá – Valente guerreira do povo Manaó;

Tacaçauá – Vibrante;

Tauá – Tribo, aldeia;

Apiauá – Homem;

 Garantido
Do lado encarnado, o Garantido vem com o tema “Amazônia do Povo Vermelho”. Na toada de abertura, que leva a temática, é possível encontrar:

Kuarup, Kahê Katuagê/ Toré, é dança milenar/ Acyigua, Atiaru, Sateré// 

Kuarup - dança que tem a finalidade de trazer aqueles que morreram à vida. Celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu, no Brasil;

Kahê Katuagê - Dançada pelos índios Kanela, da região do rio Tocantins, na época da seca, onde predomina o elemento feminino;

Toré - Dança realizada por diversos povos indígenas, inclusive os tradicionais;

Acyigua - Dança mística destinada a resgatar a alma do índio que morre assassinado;

Atiaru - Dança indígena bastante conhecida. Ela é realizada a partir do entardecer e é composta por homens e mulheres.

 A toada “Festa do povo Negro”, como o próprio nove diz, reforça a importância do negro, trazendo para o Brasil a arte, cultura e o sincretismo religioso. Vejamos um trecho:

Enorme fogueira, tambores de negros/ Estrondo, foguete, brilho e resistência/ Embaixo da baeta, meu boi é felpudo/ Lundu, Cacumbi, a Nzinga eu saúdo.

Lundu - Deriva da musicalidade dos negros de Angola e do Congo, que trouxeram para o Brasil a sua tradicional dança da umbigada (semba, em quimbundo);

Cacumbi - Acredita-se que é uma variação de outros autos e bailados como Congada, Guerreiro, Reisado e Cucumbi;

Nzinga - Também conhecida por Jinga ou Ginga, foi rainha dos reinos de Ndongo e de Matamba, situados na região atual de Angola, no século XVII. Nascida em 1582, governou essas localidades por um período de aproximadamente 40 anos.

 A toada “Aldeia do Fogo Ancestial” conta uma lenda amazônica na qual a cunhã-poranga é levada pelas legiões de espíritos. Então, os anciões se preparam para a batalha.

No universo celeste xamã em transe vagueia/ Na busca da trilha sagrada as almas rastejam/ Nas entranhas da terra a busca infinita do dom imortal/ Anciãos vermelhos fazem a dança de guerra/ A batalha envolta a neblina vai começar!

Nhamandú, Kuaracy, Tupã, Nanderú/ Nhamandú, Kuaracy, Tupã, Nanderú/ Karaí ru eté, Karaí ru eté// Atacar!

Nhamandú - Considerado como o deus supremo da mitologia tupi-guarani. Não tem uma forma antropomórfica, pois é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto existe antes mesmo de existir o Universo. 

Kuaracy - Na mitologia tupi-guarani é a representação do Sol, às vezes compreendido como aquele que dá a vida e criador de todos os seres vivos, tal qual o Sol é importante nos processos biológicos.

Tupã - Chamado de “O Espírito do Trovão”, Tupã é o grande criador dos céus, da terra e dos mares, assim como do mundo animal e vegetal. Além de ensinar aos homens a agricultura, o artesanato e a caça, concedeu aos pajés o conhecimento das plantas medicinais e dos rituais mágicos de cura.

Nanderú - É o deus de forma humana cujos olhos refletem a infinidade das cores. Onde aparece, reflete luz. Vaga pelo cosmos num veículo voador chamado "Bairý". 

Karaí ru eté – Deus que representa um dos pontos cardeais (Leste). É o deus do fogo e do ruído do crepitar das chamas sagradas. 

 A toada “Senhor das Águas”, conta uma lenda amazônica e a luta contra os seres aquáticos, conforme alguns trechos:

Teperesik, Teperesik/ Gigante homem-peixe sobrenatural/ Teperesik, TeperesikEscamas de neon, monstro cardinal/ Vem montado no jacaré-açu, vem livrar a aldeia de todo o mal// Xawáras: Das águas, da mata e no céu/ O povo guerreiro Yanomami evoca os deuses da fé///
 

Teperesik – Para os Yanomami, Monstro aquático, dono das plantas cultivadas. Vive nas profundezas das águas.

Xawára - Monstro devorador. É um monstro mitológico presente na cultura Yanomami, muito citado em um dos apocalipses dessa mitologia. Ele é presente em todos os tipos de contos, lendas e musicas

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