Caprichoso

Compositor fala da toada ‘Cultura que resiste’ e o drama vivido com as sequelas da Covid-19

João Leão passou seis meses internado, sendo 45 dias na UTI. Hoje, comemora a vida e a primeira toada emplacada no bumbá azul e branco

Jhonny Lima - de Parintins
online@acritica.com
22/06/2022 às 13:18.
Atualizado em 22/06/2022 às 13:18

João Leão ainda se locomove com dificuldade e quando precisa ir para algum evento que necessite ficar muito tempo em pé ele vai na cadeira de rodas (Foto: Gilson Mello/Freelancer)

A pandemia da Covid-19 feriu de morte vários artistas parintinense, deixando órfãos, viúvos, e a arte enlutada pelas perdas irreparáveis para o Festival Folclórico. Quem sentiu de perto as consequências de ser acometido pelo vírus sabe da importância que é lutar para viver. Do lado do Caprichoso, tem um artista que viveu esse drama, ficando internado por vários meses e hoje, com as sequelas da covid e um acidente vascular cerebral (AVC) e mesmo buscando recuperar as forças, ele não deixa de participar das atividades do bumbá azul e branco, seja em cadeira de rodas ou usando muletas, mesmo porque, no festival deste ano, a toada “Cultura que resiste” leva sua assinatura e de outros dois compositores.

Ele é o João Leão, que é apaixonado pelo boi Caprichoso e que neste ano, conseguiu emplacar a primeira toada, “Cultura que resiste”, em parceria com Guto Kawakami e Juarez Lima Filho. E foi chegando, apoiado com muletas, que ele se aproximou para conversar com a equipe de reportagem.  A toada foi encomendada pelo Conselho de Artes e a parceria foi importante para falar sobre o brincador de boi e para o sucesso da obra.

“Estava tentando colocar uma toada desde 2016 e consegui este ano. Estou estreando com uma toada bem legal, muito bem aceita pela torcida e vai ser um grande momento no bumbódromo, com certeza. Ele (Guto) fez a melodia e nós fizemos a letra, via WhatsApp, porque eu estava em Belém e os dois em Manaus”, explicou Leão.

Para dar vida à toada, João enfatiza que os bumbás não são apenas festas, mas estão conectados à própria cidade, movimentando a economia, com geração de emprego e renda, destacando que o próprio festival é a cultura que resiste. 

Sequelas da Covid-19

Natural de Belém-PA, João Leão conhece Parintins desde 2005, após passar no concurso público para professor substituto na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e morou em Parintins por três anos. Mas vai à Ilha Tupinambarana todos os anos.

E foi numa dessas viagens, no Réveillon de 2021, que ele contraiu o vírus da Covid-19. Ele só foi descobrir que estava infectado ao visitar à mão, na terra natal. E lá ele ficou! Foram seis meses internado no Hospital Beneficente Portuguesa na capital paraense, sendo 45 dias em leito de UTI, chegando a ser entubado, passou por hemodiálise e ainda sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Depois de passar seis meses internado e nove meses dependente de cadeira de rodas, hoje, João Leão, pode se locomover com o uso de muletas (Foto: Gilson Mello/Freelancer)

 “Sou muito grato porque não era para eu estar vivo e eu estou aqui, não digo firme e forte, mas tô indo. Pode parecer paradoxal, mas tive inúmeros problemas de saúde e hoje estar aqui em Parintins, estar falando novamente, andando com dificuldade, mas andando, eu sinto uma gratidão enorme porque Deus me deu uma segunda chance, que muitas pessoas quiseram ter e não conseguiram”, disse emocionado o compositor ao acrescentar que a cepa do vírus foi a mesma que originou a crise do oxigênio no Amazonas.

Além do período de internação, João Leão disse que ficou de 8 a 9 meses totalmente dependente de cadeira de rodas e foi evoluindo, com muita fisioterapia até chegar a usar muletas, no entanto, ele ainda não consegue ficar em pé por muito tempo

Hoje, ele mora em Fortaleza e mantém fortes vínculos com a “Ilha da Magia”. “Um dia, quem sabe, eu pretendo votar para ficar”, finalizou. 

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