Em um mundo real demonstrado pelos frames dos algoritmos, candidatos são impulsionados à criar e ou aprofundar os espaços de violência, utilizar a tática da acusação e da agressão como os mecanismos da campanha eleitoral.
(Foto: Agência Brasil)
Há um impasse em tempo de campanha eleitoral sobre a apresentação de propostas de candidatos a cargos do poder executivo (Presidência da República, Governo Estadual e Prefeitura Municipal) e a troca de agressões. O que gera mais engajamento? Monitoramentos e pesquisas apontam que apresentar propostas concretas e ou o plano de governo tem saldo positivo para o eleitor interessado a resolver problemas que o aflige enquanto a troca de acusações chama atenção momentaneamente e promove onda de repercussão que funcionam para aprofundar divisões, causar desgastes e promover ambientes violentos.
Em um mundo real demonstrado pelos frames dos algoritmos, candidatos são impulsionados à criar e ou aprofundar os espaços de violência, utilizar a tática da acusação e da agressão como os mecanismos da campanha eleitoral. Nesse universo, onde a desinformação e as não notícias imperam, o vale-tudo político-eleitoral alcança o mais alto patamar e se impõe diante de instituições fragilizadas também contaminadas por esse mesmo vírus.
Sem os parâmetros reafirmados, vigorosos e esclarecidos para a população, prevalece um tipo de entendimento que produz a ignorância política e usurpa o bom da arte de fazer política, campanha eleitoral, debates entre candidatos. O debate remete á Grécia Antiga e se assumiu a feição de mecanismo de escuta e argumentação em torno de ideias conflitantes, é exercido na perspectiva de convencer o outro sobre a melhor ideia ou proposta e estimula o pensamento crítico.
Os debates entre candidatos que estão em disputa nas eleições deste ano demostraram o quanto o vigor da palavra enfraqueceu. A predominância de uma lógica do fazer política e os recursos mais utilizados pelas plataformas comunicacionais praticamente determinaram um modelo de ação. Falas que denunciam, desinformam, mentirosas, agressivas são feitas para, após os cortes, serem espalhadas como pólvora, nas redes sociais gerando outros contextos, constituindo-se em pautas na mídia que, por sua vez, irá citar o ranking dos mais lidos, dos mais comentados, do que se tornou moda (trends). Nesse ciclo, o debate torna-se o nãodebate.
Quais são as propostas efetivas, por exemplo, dos candidatos ao Governo do Amazonas nas eleições deste ano? Por que a proliferação de plataformas de comunicação não conseguir ser instrumento para ampliar e qualificar as informações, o debate político, a política, o processo eleitoral?