MANIFESTO PELA DEMOCRACIA

No Amazonas, Ufam é palco para leitura da carta pela democracia

Assinado por mais de 850 mil pessoas, o documento foi lido simultaneamente em 39 universidades do país.

Giovanna Marinho
online@acritica.com
11/08/2022 às 12:48.
Atualizado em 11/08/2022 às 12:48

(Foto: Junio Matos)

O Instituto de Filosofia , Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ifchs/Ufam) foi palco para a leitura da ‘Carta às Brasileiras e aos Brasileiros’ em defesa do estado democrático de direito, nesta quinta-feira (11). A Associação dos Docentes da Ufam (Adua) também divulgou um manifesto em defesa do Estado Democrático de Direito. 

O documento, que reúne mais de 850 mil assinaturas e personalidades de diversos segmentos do país, foi lido simultaneamente em 39 universidades do Brasil e imita a Carta aos Brasileiros, feita em 1977 denunciando a ilegitimidade do regime militar, para afirmar o compromisso dos poderes e da sociedade civil com a democracia e a Constituição Federal. 

“Nós aderimos a esse movimento que está ocorrendo em nível nacional. É um reforço ao nosso compromisso com a democracia , porque todos os burburinhos que têm sido espalhados nos últimos dias ou meses, sobre a não legitimidade das eleições, da não legitimidade das urnas eletrônicas é algo muito sério, porque é uma forma de barrar o sistema democrático”, salientou a professora do departamento de história da Ufam, Kátia Couto que conduziu a leitura. 

A reunião de professores e alunos, na Ufam, precede a manifestação que será realizada às 15 horas na Praça da Saudade, bairro Centro, zona Centro-Sul de Manaus. Por lá estarão reunidos também os movimentos sindicais, indígenas e estudantis, também para reiterar a luta pela democracia. 

Kátia justificou que as recentes contestações feitas contra as urnas e o processo democrático do país imitam processos feitos no passado durante o regime militar, por isso a carta, embora tenha a participação de vários partidos e de movimentos sociais, mas está sendo assinado por pessoas dos mais diversos segmentos da sociedade.

“A questão da contestação ao processo democrático, é uma forma de reaver do passado posturas de confronto às instituições democráticas instituídas. Esse passado já não nos pertence, porque as nossas instituições têm caminhado,dentro da sua legitimidade, exercendo os seus papéis de forma clara e irrestrita. Um governo que foi legitimamente eleito não pode contestar o processo que é legítimo, que são as eleições”, declarou a professora.

Durante a reunião também foi lido o manifesto público: “Às ruas, em defesa do Estado Democrático de Direito e contra o Golpismo”, elaborado pelos docentes da Ufam. A presidente da Adua, Ana Lucia Gomes, considerou a leitura um momento histórico e ressaltou a importância que os professores, como formadores de opinião, possam alertar sobre os riscos à democracia. 

“Nós já acordamos e a gente acredita que a sociedade deve acordar para o que está acontecendo. O país está sob ataque. Ataque de um governo que não respeita a sua própria legislação. O governo federal tem atentado contra todas as instituições, contra a Constituição e a gente observa que há uma tentativa de um golpe por trás disso. A gente não aceita. Somos um país democrático e um país laico”, declarou a Ana Lucia. 

(Foto: Junio Matos)

Leia a íntegra do Manifesto Público da ADUA:

A ADUA nasceu como Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas em 1979 e, desde 1991, se consolidou como Seção Sindical do ANDES-Sindicato Nacional para defender a categoria docente e o Estado Democrático de Direito, fundamento constitucional da República Federativa do Brasil. Desde sua fundação, a ADUA se faz presente e parceira em todas as lutas coletivas do povo brasileiro e, nestes de decomposição institucional do Estado brasileiro, de desmonte de direitos e de ameaça à vida e às liberdades, vem se somar a todas as forças e movimentos que se organizam para barrar o golpismo e a escalada de retrocessos políticos do atual governo.

Vamos às ruas, porque não admitimos retroceder nas conquistas do povo e de sua luta para que o Brasil possa avançar nas trilhas da democracia, da vida cidadã, da universalidade material dos direitos coletivos. A democracia é o poder do povo, não de alguns. A verdadeira soberania pertence ao povo organizado como sociedade civil. Do povo emana todo o poder e a serviço do povo deve estar o Estado e suas instituições. O Estado é laico, nem ateu nem confessional, e deve garantir o direito do povo ao livre exercício de manifestação política, cultural, religiosa e, sob nenhum pretexto, atentar contra a vida democrática.

Fazemos nossa, e a ela damos nossa voz, a CARTA AS BRASILEIRAS E AOS BRASILEIROS EM DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (www.estadodedireitosempre.com), assinada por instituições, cidadãs e cidadãos de todo o Brasil. Fazemos eco às palavras finais desse documento cívico:

"No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa, necessariamente, pelo respeito ao resultado das eleições".

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona: ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO SEMPRE!

Somente na luta coletiva podemos organizar a esperança, impedir a volta do passado e evitar que os roubem o futuro, força que nos impulsiona a não desertar os espaços que conquistamos.

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