MENINO PRODÍGIO

Aos 5 anos de idade, garoto amazonense tem QI de 146 pontos e é considerado prodígio

O pequeno Benício, com um ano e dez meses começou a ler e hoje, aos cinco anos, já possui altas habilidades. No entanto, por ter ter capacidade de compreensão acima da média, crianças como ele podem se sentir desmotivadas em aulas que não lhes apresentam desafios

Amariles Gama
online@acritica.com
19/09/2022 às 18:21.
Atualizado em 19/09/2022 às 19:17

De uma gravidez tranquila e sem complicações nasceu o pequeno Benício Vasconcelos. Desde bebê ele respondia a estímulos de forma impressionante, seja na hora da amamentação ou em momentos de leitura e música. Aos 9 meses ele começou a andar. Com 1 ano e 2 meses, já reconhecia as vogais e consoantes. Surpreendentemente, com 1 ano e 10 meses, Benício aprendeu a ler, quando ainda frequentava o maternal em uma creche. Hoje, ele já sabe até inglês.

Que as crianças são naturalmente bem espertas, todos já sabem, no entanto, há aqueles que se destacam em meio aos outros, uma categoria específica pode chegar inclusive a ser definido cientificamente como “dotado de altas habilidades”.

Esse é o caso do manauara Benício, que aos 5 anos de idade possui um Quociente de Inteligência (QI) de 146 pontos, sendo diagnosticado com altas habilidades em linguagem e matemática.

Mas, para quem acredita que essa condição só traz benefícios está enganado. A CRÍTICA conversou com a mãe de Benício, a mestre em Linguística, Hercilaine Alves, para entender as dificuldades que o pequeno chega a enfrentar em sala de aula, devido a ter um conhecimento acima do seu tempo.

Segundo Hercilaine, após análise de um profissional especializado em altas habilidades, ela descobriu que seu filho, na época com 3 anos, tinha idade maturacional de 8 anos. No entanto, a sua idade emocional ainda era de uma criança de 3 anos. 

A família de Benício em momento de descontração, mas com uma pitada de estratégia (Foto: Arlesson Sicsú)

Metade-metade

A psicóloga clínica e escolar, Elenara Dias Perin, que acompanha o caso de Benício, explica que as Altas Habilidades/Superdotação têm componentes genéticos e ambientais. As pesquisas indicam que cerca de 50% das pessoas que são diagnosticadas com AH\S há familiares que também possuem essa condição. 

“Há também fatores ambientais que propiciam ou não essas capacidades, ou seja, a pessoa pode ter indicativos e desenvolver ou não essas habilidades a depender do ambiente. No caso citado, há relatos familiares de pessoas próximas que possuem essas habilidades acima da média, autodidatismo e principalmente um ambiente muito propício para o desenvolvimento de suas habilidades precocemente, de acordo com os relatos da família”, disse.

Para a especialista, é sempre desafiador trabalhar com crianças como o Benício, porque ele tem uma demanda de conhecimento, uma curiosidade e uma necessidade de conhecimento constante. Mas, ela destaca também que ele não deixa de viver a fase típica da infância com brincadeiras, falas, comportamentos próprios da idade. 

“A família tem uma preocupação de manter o interesse e dar as condições para que essas habilidades possam fluir de uma forma natural, não oferecendo nem demais, nem de menos”, destacou a profissional. 

“As crianças com Altas Habilidades/Superdotação necessitam de um acompanhamento tanto do ponto de vista psicológico quanto pedagógico, para que possam aprender a lidar tanto com as questões de conhecimento quanto com as questões emocionais como a ansiedade, muitas vezes geradas pela percepção de que são “diferentes” das crianças da sua idade, e também para que não se percam nas tantas demandas”, completou.

Desafios enfrentados na escola

Desde o maternal, a família de Benício já percebeu que ele necessitava de uma educação especial e didática diferenciada, já que por ter capacidade de compreensão acima da média, crianças como ele podem se sentir desmotivadas em aulas que não lhes apresentam desafios.  Esse é um direito garantido pela Política Nacional de educação especial tanto para crianças com Altas Habilidades, assim como alunos com TDAH, autismo, entre outros.

Porém, é um desafio para as escolas e educadores conseguir dar o atendimento adequado à criança que tem conhecimento muito acima da média da faixa etária. Segundo a mãe de Benício, esses desafios têm sido motivo de preocupação para ela, que também tem se dedicado a estudar o campo das Altas Habilidades e Superdotação para dar um suporte melhor para o seu filho. 

“A falta de estrutura, de organização, de ser acolhido pode criar um efeito contrário na criança, porque ela se intimidade, não tem uma autoestima valorizada, se cobra em excesso, é perfeccionista, tem irritabilidade, seletividade alimentar, não dorme porque pensa demais. Ele tem muitas informações e precisa passar essas informações, mas o ambiente da escola não proporciona isso”, disse a mãe de Benício, ao destacar que, apenas avançar de série não é a solução, já que ele precisa também de um ambiente para criança.

Mensa Brasil

Segundo o vice-presidente da Mensa Brasil, Carlos Eduardo Fonseca,  a Mensa tem três objetivos: identificar pessoas com QI alto, contribuir em pesquisas científicas sobre QI e oferecer aos seus membros um ambiente estimulante. No Brasil são 174 menores com idades entre 3 e 17 anos.

Mensa Internacional

A partir de um grupo no WhatsApp, Herlaine conheceu um grupo de mães com filhos com a mesma condição de Benício.  Lá ela conheceu a Mensa Internacional, uma espécie de clube para pessoas com alto QI. Após passar por uma análise com a especialista em Altas Habilidades e receber o laudo, a mãe de Benício resolveu submeter esse laudo para a avaliação dos profissionais do Mensa Internacional.

Para a sua surpresa, Benício foi aprovado e agora é membro da Mensa Internacional, uma associação sem fins lucrativos que começou há 76 anos na Inglaterra e, em junho, completou 20 anos no Brasil. A organização atua em cerca de cem países.

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