Conflito

Russos correm para deixar o país e lotam voos

Procura por passagens aéreas explodiu e preços aumentaram após anúncio do presidente russo, Vladimir Putin, sobre mobilização parcial

DW Brasil
22/09/2022 às 08:24.
Atualizado em 22/09/2022 às 08:24

(Foto: DW Brasil)

Os voos para fora da Rússia lotaram nesta quarta-feira (21/09) e os preços das passagens aéreas dispararam, em meio à grande quantidade de russos que tenta deixar o país. A procura por passagens explodiu após o presidente russo, Vladimir Putin, anunciar uma mobilização militar parcial. De acordo com o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, 300 mil reservistas devem ser inicialmente convocados.

As pesquisas por passagens aumentaram no site de reservas de voos mais popular da Rússia, o Aviasales, de acordo com dados do Google Trends. 

Segundo o Aviasales, os voos diretos desta quarta de Moscou para Istambul, na Turquia, e para Yerevan, na Armênia, estavam esgotados – ambos os países permitem a entrada de russos sem visto. As passagens para voos operados pela Air Serbia de Moscou para Belgrado, na Sérvia, também esgotaram para os próximos dias. 

Ao mesmo tempo, os preços das passagens de ida para a Turquia dispararam para quase 70 mil rublos (cerca de R$ 6 mil) – um aumento de três vezes em comparação com os cerca de 22 mil rublos (aproximadamente R$ 2 mil) cobrados há uma semana, de acordo com dados do Google Flights.

As tarifas para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também aumentaram, com a passagem mais barata da classe econômica custando cerca de 300 mil rublos (cerca de R$ 25,7 mil).

 Opções restritas para deixar a Rússia 


De acordo com a agência de notícias Reuters, uma fonte do setor de turismo informou que ainda não havia restrições impostas para viagens ao exterior. No entanto, segundo a fonte, as pessoas estavam correndo para sair da Rússia, com medo de, em breve, não poderem mais deixar o país.

Embora o ministro da Defesa tenha anunciado que apenas pessoas com experiência relevante em combate e serviço seriam convocadas, relatos de pânico se espalharam pelas mídias sociais. 

Posts afirmavam que algumas pessoas haviam tido a entrada recusada na fronteira terrestre entre a Rússia e a Geórgia, e que foram enviadas de volta. A DW não pôde verificar a informação de forma independente. 

Apesar de os russos ainda serem autorizados a deixar o país, suas opções são cada vez mais limitadas, devido às sanções ocidentais a Moscou.

Estados membros da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, Letônia e Estônia não têm interesse em receber russos que fogem da mobilização militar.

O ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, citou preocupações de segurança por Riga se recusar a oferecer refúgio a essas pessoas. 

Já o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Urmas Reinsalu, disse que "a recusa em cumprir o dever cívico de alguém na Rússia ou o desejo de fazê-lo não constitui motivo suficiente para receber asilo em outro país".

 Protestos contra a mobilização 

 Além das tentativas de fuga, o anúncio de Putin também provocou protestos em ao menos 38 cidades, que foram fortemente reprimidos pelo governo. Segundo o grupo OVD-Info, organização humanitária especializada no monitoramento de detenções, pelo menos 1.400 pessoas foram detidas.

As manifestações foram as maiores na Rússia desde as que eclodiram após o anúncio da invasão militar de Moscou à Ucrânia, em fevereiro.

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