Pandemia fez 52% dos brasileiros ganharem peso

Trancadas em casa e sem perspectiva de voltar à normalidade, uma parcela considerável delas desenvolveu transtornos alimentares

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12/05/2022 às 09:42.
Atualizado em 12/05/2022 às 09:42

A pandemia de Covid-19 alterou repentinamente a rotina de milhões de pessoas mundo afora. Trancadas em casa e sem perspectiva de voltar à normalidade, uma parcela considerável delas desenvolveu transtornos alimentares. De acordo com a pesquisa Diet & Health Under Covid-19, realizada em 2021 em 30 países, o Brasil viu 52% da população ganhar peso durante a crise sanitária – a média de aumento foi de 6,5 quilos. Entre os que engordaram, muitos já estão recorrendo a exercícios físicos e a produtos como o Sibutramin para voltar ao peso anterior.

A disseminação do novo coronavírus, no início de 2020, causou o colapso do sistema de saúde, uma grave crise financeira e um verdadeiro surto de ansiedade em diversos países do mundo. Uma das consequências foi o aumento do sedentarismo e do ganho de peso. Ainda conforme a pesquisa, no mundo, 31% das pessoas engordaram durante a pandemia de Covid-19.

O ganho generalizado de peso é uma pandemia silenciosa que já está em curso há algumas décadas – o novo coronavírus só agravou o quadro. No mundo, a quantidade pessoas com excesso de peso triplicou de 1975 até 2016, chegando a 36%. Já o número de obesos está, atualmente, em 13%.

No Brasil, esses índices são ainda mais alarmantes. Entre 2006 e 2019, o Brasil viu o número de pessoas com excesso de peso saltar de 42,6% para 55,4% . Em relação à obesidade, esse número passou de 11,8% para 20,3%.

Sem um combate sério ao problema, os índices tendem a piorar. Segundo o estudo “A Epidemia de Obesidade e as DCNT – Causas, custos e sobrecarga no SUS”, que foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 68% dos brasileiros poderão estar com excesso de peso em 2030. Além disso, a projeção é de que 26% estejam obesos.

Conforme lembra a pesquisa, o sobrepeso é um dos principais fatores de risco para o surgimento de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), como as doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, as neoplasias (cânceres) e a diabetes mellitus.

Além de fatores individuais, a obesidade também é consequência de comportamentos adotados por grupos. O estudo cita como exemplo os Estados Unidos, que viu um aumento significativo no número de obesos a partir da década de 1970. Entre os principais fatores apontados estão:

  • Mudanças nas leis agrícolas no país;
  • Marketing acelerado;
  • Disponibilidade e acesso a alimentos com alto teor calórico;
  • Introdução no sistema alimentar de adoçantes como xarope de milho, com alto teor de frutose.

Nos últimos anos, tudo isso tem se agravado, e esses fatores já se espalharam para outros países, principalmente os ocidentais. Portanto, é importante que as pessoas busquem frear os comportamentos que contribuem para o aumento de peso. Um estilo de vida saudável é um dos melhores aliados para um um presente e um futuro com menos problemas.

Assim como ocorreu com o tabagismo, é possível vencer a obesidade. Mas, para isso, todos precisam reconhecer o problema e decidir enfrentá-lo. Uma mescla entre políticas públicas e atitudes individuais é o caminho para que o sobrepeso não mais seja uma pandemia silenciosa.

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