Reconhecimento

Açaí de Codajás busca selo de Indicação Geográfica

Terra do açaí, Codajás almeja selo de Indicação Geográfica do INPI para valorizar cadeia produtiva origem

Portal A Crítica
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11/06/2022 às 20:19.
Atualizado em 11/06/2022 às 20:19

Os empresários Anselmo de Oliveira, 45, e Marineufas Bastos, 44, produzem o açaí exclusivo para venda em Manaus (Divulgação)

Codajás é popularmente conhecida pelos amazonenses como a terra do açaí. E agora os trabalhadores dessa cadeia produtiva estão muito próximos de alcançar o reconhecimento oficial, através da Indicação Geográfica (IG) do produto.

Além de agregar valor a um mercado que movimentou mais de R$ 31 milhões no município em 2021, este selo protege e garante a origem da marca, como já ocorre com a farinha do Uarini e o guaraná de Maués. 

Na cidade de 29.691 habitantes, de acordo com o IBGE, 70% da população tem como renda atividades direta ou indiretamente relacionadas à produção e escoamento do açaí, de acordo com a secretaria municipal de produção. São apanhadores, batedores, atravessadores, trabalhadores em embarcações, estivadores, entre outros atores na produção e venda do produto, cobiçado para além dos limites territoriais do estado e até do Brasil. 

Com qualidade e sabor inconfundíveis, o fruto específico da região ganhou maior fama a partir de 1988, com o início do Festival do Açaí. Foi quando outros municípios passaram a indicar a origem do insumo nas vendas. E alguns vendedores se aproveitaram para usurpar essa procedência, o que eventualmente afeta a reputação de um produto ainda sem marca registrada. Essa falta de rastreabilidade, contudo, está com os dias contados. 

Desde 2019, produtores codajaenses, poder público e entidades atuam pelo sonho de alcançar oficialmente a notoriedade do açaí local. Chefe do escritório do Sebrae em Coari, que também administra Codajás, Alzinete Sobrinho lembra que a falsificação da origem do açaí e a desvalorização dos trabalhadores locais motivou a busca pela IG. 

“Fizemos primeiro o diagnóstico em 2019, e desde então começamos esse trabalho de implementar o projeto. Reunimos para formar um comitê gestor e, através da contratação de uma empresa especializada, a gente começou a galgar as etapas até a solicitação desse selo, que já está bem próximo nessa primeira etapa, o que é só é o início desse trabalho”, frisou Alzinete. 
 

Indicação geográfica

Indicação Geográfica No Brasil, o selo de Indicação Geográfica é conferido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Governo Federal. O reconhecimento é concedido a uma região que ficou conhecida ou apresentou vínculos relativos à qualidade e características de um produto ou serviço, conforme estabelecido pela Portaria INPI/PR Nº 4, de 12 de Janeiro de 2022. 

Atualmente, o Amazonas possui seis IGs: farinha de Uarini, peixes ornamentais do Rio Negro, abacaxi de Novo Remanso, pirarucu de Mamirauá, guaraná de Maués e Andirá-Marau (guaraná dos indígenas), cuja área contempla parte de municípios do leste amazonense e do Pará.

Até dezembro de 2022, outras três indicações devem ser estabelecidas junto ao INPI: queijos de Autazes, mel de abelhas nativas de Boa Vista do Ramos e o açaí de Codajás.

 Desde 1977 o produtor José Vieira de Oliveira, 76, mantém rotina semelhante: dois dias de coletas com equipe de até 12 pessoas em açaizais, situados em comunidades rurais do município, e um dia na zona urbana de Codajás para entrega de até 100 sacas cheias para venda.

A principal parceira comercial do seu José é a Frooty, com fábrica em Manacapuru e uma das quatro grandes compradoras na cidade. Natural de Carauari, ele mora em Codajás desde os 7 anos de idade e é um dos que se autointitulam produtores, batedores e consumidores da delícia da terra. 

“Antes, a gente trabalhava com juta e malva. Começamos depois com o açaí numa época difícil. Não existia máquina como hoje. Não tinha mercado. Quando veio a festa do açaí, houve uma progressão. Daí vem melhorando de lá para cá”, comentou José. No Amazonas, onde se concentram palmeiras de açaí da espécie Euterpe precatória, ou açaí solteiro – nome atribuído pelo fato da espécie ter apenas um caule –, a árvore pode chegar a 20 metros de comprimento. 


Em média, os apanhadores precisam subir em quatro delas para encher uma saca com o fruto, o que em outros estados demanda 12 subidas. Isso porque, de acordo com os produtores, os cachos da bacia do Solimões são grandes.

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