DATA ESPECIAL

Dia do Capoeirista é comemorado nesta quarta-feira e prática completa 50 anos de existência no AM

Atualmente Manaus possui mais de 80 grupos de capoeira, tendo também mais de 80 mestres da arte. Mesmo com reconhecimento, líderes do movimento pedem maior apoio do poder público

Michael Douglas
online@acritica.com
02/08/2022 às 19:48.
Atualizado em 03/08/2022 às 14:55

(Foto: Arlesson Sicsú)

Uma das manifestações mais fortes da cultura popular é lembrada nesta quarta-feira, dia 3 de agosto, quando se comemora o Dia do Capoeirista. Considerada como patrimônio cultural imaterial da humanidade, a capoeira mistura esporte, luta, dança, música e brincadeira, e no Amazonas conseguiu vários adeptos, disseminando sua pratica e filosofia. O movimento surgiu no Estado no fim da decáda de 1960, sendo introduzido oficialmente na década seguinte, e atualmente conta com meio século de história dentro do Amazonas – principalmente em Manaus. 

Originada no século 17, a atividade surgiu dentro dos primeiros movimentos de fuga dos negros escravizados. A palavra vem do tupi-guarani cáa-puêra, que significa “mato que já foi”. 

De acordo com Luiz Carlos de Matos Bonates e Tharcísio Santiago Cruz, autores do livro “A Capoeira em Manaus – Amazonas”, o primeiro contato que estas terras tiveram com a arte foi em 1969, quando o famoso capoeirista baiano e lutador de vale-tudo, Waldemar Santana – também conhecido como Leopardo Negro, ou até mesmo Pantera Negra –, esteve no Estado para realizar apresentações de capoeira no Teatro Amazonas. Em 1972, Waldemar Santana retorna a Manaus, onde passa uma temporada de três meses.  

Ainda segundo o estudo, ainda em 1972 o Mestre Gato de Silvestre vem para Manaus e introduz de forma definitiva o movimento no Estado. Cinquenta anos depois, o Amazonas possui, de acordo com a Federação Amazonense de Capoeira (FAC), atualmente Manaus possui mais de 80 grupos de capoeira, tendo também mais de 80 mestres da arte. 

Entre eles está o mestre José Neto, um cearense que vive no Amazonas desde a década de 1980 e atualmente ocupa o cargo de presidente da FAC. Estando há quarenta anos dentro deste esporte/movimento, ele afirma que a vida dentro do movimento avançou para os praticantes, mas ainda há muito a se avançar, principalmente na questão de direitos. 

“Os capoeiristas hoje têm dificuldade, porque nós não temos apoio governamental para trabalhar e isso não é de hoje. A Capoeira hoje é patrimônio histórico, mas não mudou muita coisa, e a pandemia foi a gota d’água na vida dos mestres de capoeira, porque durante esse período nós cansamos de ter que fazer vaquinha para enterrar alguns de nossos grandes mestres.  Se a gente for puxar na memória, avançamos muito, até porque anos atrás éramos um movimento marginalizado, mas ainda sim tem que se melhorar muita coisa”, afirma Mestre José Neto. 

(Foto: Arlesson Sicsú)

Atualmente ele comanda um projeto social no conjunto Petros, bairro Coroado, zona Leste de Manaus. Os encontros acontecem sempre na parte da noite, o que segundo ele é por conta da falta de apoio governamental, já que os mestres não conseguem/podem viver apenas da capoeira. 

“Por tudo que a capoeira se tornou, ela devia conseguir adentrar nas escolas públicas para ministrar a capoeira, já que as leis municipais e estaduais não permitem isso, o que é muito complicado, mesmo com o oficio de mestre de capoeira sendo reconhecido como patrimônio histórico da humanidade", afirma. 

Em 2008, a roda de capoeira foi considerada como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). E em 2014, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) deu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Atualmente, a Capoeira está em mais de 160 países e é considerado um dos maiores difusores da língua portuguesa pelo mundo.  

Em setembro, a Federação Amazonense de Capoeira irá realizar um curso para árbitros do esporte e também irá fazer o reconhecimento de novos mestres.

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