AUDIOVISUAL

Filme ‘Uýra - A Retomada da Floresta’ tem sua estreia mundial nesta quarta-feira (22)

O longa será exibido no 46th Frameline International Film Festival, o maior e primeiro festival de cinema LGBTQIA+ do mundo, em San Francisco

Gabrielly Gentil
online@acritica.com
22/06/2022 às 13:17.
Atualizado em 22/06/2022 às 13:17

O Frameline Film Festival acontece em San Francisco, CA, EUA (Fotos: Snapfiesta)

O longa “Uýra – A Retomada da Floresta” tem sua estreia mundial nesta quarta-feira (22), no 46th Frameline International Film Festival – o maior e primeiro festival de cinema LGBTQIA+ do mundo, realizado há 46 anos em San Francisco. O filme, que retrata a história de Uýra, uma artista trans indígena que viaja pela floresta amazônica utilizando a arte performática e mensagens ancestrais para ensinar jovens indígenas e enfrentar o racismo e a transfobia no Brasil, está entre os três – dos 125 – que tiveram os ingressos esgotados para a sessão ainda nas primeiras horas do primeiro dia de festival. O evento iniciou no dia 16 de junho e vai até o dia 26 deste mês.

“Por aqui os ânimos tão muito grandes, ta toda a equipe se articulando a mil, estamos participando de várias entrevistas com os canais de comunicação daqui [San Francisco]. E uma coisa que tá sendo muito legal é que dos 125 filmes, o ‘Uýra’ foi um dos três que encerrou [a venda dos ingressos] nas primeiras horas. Só vai assistir [o filme] agora, aqui no festival, quem comprou nas primeiras horas do primeiro dia que abriu [a venda]”, pontua e comemora Uýra. 

Para a artista, o festival funciona ainda como uma grande vitrine. “Esse festival ta reunindo aqui presencialmente, em San Francisco, programadoras e curadores dos maiores festivais do mundo. Estão todos aqui. A gente ta fazendo uma rede de network muito importante, e vários convites já foram feitos para a nossa circulação em outros festivais do mundo ao longo dessa première mundial. Tô bem feliz!”, relata. 

Sinopse
O longa é autobiográfico, mas não é apenas sobre Uýra. A artista se movimenta em coletivo, e ressalta que diversas histórias são contadas nessa obra. “[O filme] aborda denúncias de violências sociais, ambientais e espirituais no Brasil, com olhar especial às pessoas e territórios indígenas e LGBTQI+. Ao mesmo tempo, também imprime a potência e resistência que possuímos e nos ensinamos sobre beleza, valor e vida”, destaca Sodoma.
 
“O filme traz aos olhos o invisível de violências que geraram e ainda constituem o Brasil, especialmente sob o governo atual, que declaradamente se manifesta a favor do ódio contra florestas e gentes. Em paralelo, o filme transforma-se em uma arma e espelho, que demarca as diferentes lutas pela vida existentes no Brasil, a partir de [re]existências indígenas e LGBTQI+ da Amazônia, e convida os iguais, sob um olhar educativo, a um maior fortalecimento de bases”, complementa.

Segundo a artista, o filme se passa nos trânsitos da própria Uýra: na favela onde vive (Zona Leste), em aldeias indígenas onde atua como arte educadora e habita como parente, e nos muitos lugares da cidade, onde se reúne para articular ações de vida e celebração.

Produção
O projeto foi idealizado e produzido antes da pandemia.“Articulamos e gravamos tudo no pré-pandemia, começo de 2020, no meu bairro em Manaus, o Nossa Senhora de Fátima 1, na aldeia Três Unidos, do Povo Kambeba (no Rio Cuieiras, próximo à Manaus), e em regiões do centro da cidade. Ao todo foram 6 meses de intenso contato até obtermos os registros. O pós-produção foi durante todo este período de 2 últimos anos de (mais intensa) pandemia, contando com uma equipe de mais de 30 pessoas, e apoio financeiro para distribuição da Organização Doc Society”, relembra Uýra. 

O filme foi dirigido por Juliana Curi, roteirizado por Martina Sönksen e co-produzido por Uýra e Livia Cheibub, possui também direção de Arte de Francisco Ricardo (de Manaus).

“Toda a história reflete a realidade de Uýra, e as imagens foram criadas a partir de uma costura de performances e textos que eu já havia produzido na carreira”, ressalta Sodoma. 

Projetos futuros
Uýra está numa “turnê” de atividades pelo Brasil, EUA e Europa. Após a première em San Francisco, a artista retorna à São Paulo, para atividades no SESC Vila Mariana e SESC da cidade de São José do Rio Preto. Em julho, Uýra vai para Sérvia,  para participar da Bienal Nômade Europeia - a Manifesta. O próximo destino é Nova York, onde apresentará uma performance em um Centro de Arte e Pesquisa - o CARA.

Uýra Sodoma

Uýra é uma entidade híbrida vivida pelo artista indígena residente em Manaus, Emerson Pontes (Santarém, Pará, 1991). “Uýra é uma árvore. Entidade que gosta de contar histórias de bichos, plantas e gentes. histórias de diferentes naturezas, tanto a natureza ancestral das coisas vivas em estado de liberdade, quanto esta ‘natureza’ estranha, das paisagens de violência, abandono e dor com as quais somos ensinados a encarar como ‘natural’, sobretudo nos espaços das cidades brasileiras”, pontua Sodoma.

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