ECONOMIA

Âmbar Energia detalha plano de R$ 2,3 bilhões para ‘ressuscitar’ concessionária do Amazonas

Empresa prevê corte de custos operacionais, tecnologia para conter desvios de energia e ‘Desenrola’ próprio para devedores

Waldick Junior
09/06/2026 às 17:48.
Atualizado em 09/06/2026 às 18:41

(Foto: Divulgação)

Controladora da Amazonas Energia há quase dois meses, a Âmbar Energia detalhou nesta terça-feira um plano de R$ 2,3 bilhões para colocar nos trilhos a empresa historicamente deficitária que, no ato da compra, foi recebida com mais de R$ 13 bilhões em dívidas. As metas envolvem modernização da infraestrutura, redução de custos de operação e foco na redução da inadimplência, entre outras medidas.

O plano, que prevê investimentos iniciais até 2028 e deve ser entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até julho, foi detalhado em evento organizado pela plataforma de networking e-mundi, em Brasília (DF), reunindo jornalistas dos estados onde a Âmbar tem operação na região Norte: Amazonas, Roraima e Acre. O jornal A CRÍTICA esteve entre os veículos convidados.

O valor de R$ 2,3 bilhões foi apresentado como investimento próprio da empresa no sistema. Além disso, a companhia precisa fazer um aporte de R$ 9,8 bilhões até o dia 17 deste mês, montante que será utilizado para reduzir as dívidas históricas da empresa, que hoje chegam a gerar juros mensais estimados em R$ 250 milhões.

Modernização

Em apresentação durante o evento, o presidente da Âmbar na área de distribuição, João Pilla, pontuou que a concessionária entrega, hoje, 1.106 GWh de energia, mas fatura apenas 644 GWh, com uma perda de 41,83%, sendo a maior parte dela não técnica, decorrente de desvios ilegais de energia.

Uma das apostas para reduzir o problema é a modernização do sistema, sendo um dos carros-chefes a substituição das redes de baixa tensão, que atendem residências, com a troca dos atuais cabos nus e multiplexados pelos concêntricos.

“Cabo concêntrico é um cabo grosso, encapado. Para ligar na unidade consumidora, estamos colocando uma caixa blindada. Eu descapo o cabo por dentro e ligo o ramal do consumidor nesse ponto. Daí saio para a casa do cliente num cabo também concêntrico, mais fino, e ligo no medidor”, explicou João Pilla. A expectativa é instalar 40 mil medidores inteligentes neste plano inicial, o que representa cerca de 4% do total de unidades consumidoras no Amazonas, superior a um milhão.

Também estão previstas obras de melhoria em 438 quilômetros de novas redes de baixa e média tensão. O objetivo é, especialmente, reduzir as quedas de energia e ampliar o alcance da concessionária. A Âmbar espera conectar 11.517 novas unidades consumidoras em áreas não atendidas até 2028.

Inadimplência

A inadimplência é um dos problemas históricos da concessionária, especialmente entre grandes consumidores, como o governo do Amazonas e prefeituras do interior. João Pilla afirmou que a Âmbar firmou um acordo com o governo estadual para “zerar” as contas, considerando que a concessionária também acumulava dívidas bilionárias de impostos estaduais.

O diretor disse ainda que já conversou com seis prefeituras do Amazonas e avançou em acordos, como parcelamento de débitos, para que os municípios regularizem sua situação. A empresa ainda precisa dialogar com outros prefeitos e pretende fazê-lo ao longo dos próximos meses.

Outras medidas previstas para lidar com a inadimplência incluem o aumento de inspeções e regularizações junto a clientes de média tensão, onde estão, por exemplo, comerciantes de médio porte.

Também haverá inspeção e regularização de clientes de baixa tensão faturados hoje pelo consumo mínimo. João Pilla exemplificou que isso ocorre quando o medidor fica dentro da residência e não pode ser consultado pelos funcionários da concessionária, que atribuem então a cobrança mínima. O foco será transferir esses medidores para a área externa das residências.

Haverá ainda negociações com consumidores inadimplentes, inclusive por meio de campanhas com descontos para regularização de débitos.

Redução de custos

Na avaliação da Âmbar, enquanto o faturamento com a distribuição de energia ficava prejudicado, especialmente pelas perdas não técnicas, a empresa acumulou custos operacionais crescentes. Por isso, uma das metas do plano é reduzir esses custos em 11% em 2026 e 16% até 2030.

A expectativa é obter ganhos de eficiência a partir da racionalização de despesas, revisão de processos e aumento de produtividade. Com isso, a empresa projeta a estabilização dos custos a partir de 2028.

Uma das reduções envolve contratos de serviços terceirizados. “Tínhamos um só contrato de mão de obra e reduzimos cerca de 20%, sem perda de produtividade”, disse. Com essa mudança somada à maior eficiência em contratos de compras de equipamentos, a companhia estima R$ 100 milhões em economia, em 2026, apenas na redução do custo operacional. Apesar da redução em uma via, Pilla também destacou que a NorteTech, empresa do mesmo grupo, contratou 500 empregados para trabalhos de manutenção relacionados à concessionária de energia, no estado.

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