PALAVRAS FORTES

"Só vamos descansar quando tudo for esclarecido", diz assessor da Univaja sobre desaparecidos

Segundo o assessor jurídico, Yura Marubo, o Estado está ausente na região do Vale do Javari e só tomou uma atitude após a mídia internacional repercurtir o desaparecimento de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips

Natasha Pinto
online@acritica.com
07/06/2022 às 18:58.
Atualizado em 08/06/2022 às 09:45

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, o assessor jurídico da Organização Indígena União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Yura Marubo, revelou não apenas a ausência do Estado no local como avaliou tardia, as ações Estaduais e Federais para com as buscas indigenista Bruno Araújo Pereira, e o Jornalista Dom Phillips, de nacionalidade inglesa e correspondente do Jornal The Guardian.

A Organização Indígena trata o caso como desaparecimento, já que durante as buscas feitas pela Unijava, nenhum vestígio da dupla foi encontrado. Segundo Yura, há várias interrogações a serem esclarecidas pelas autoridades, e que o caso pode ter ocorrido por conta da organização fazer um papel de Estado, realizando fiscalizações que combatem a entrada de organizações criminosas, pescadores, garimpeiros, narcotraficantes e madeireiros em terras Indígenas.

"Um papel de polícia que não é o papel dela. Ou seja, ela está suprindo a ausência do Estado, fazendo com que as lideranças como a coordenação executiva, em que o Bruno já fez parte, seja ameaçado diretamente. Por conta disso é necessário cobrar o Estado, as autoridades constituídas, para que tomem rédea do papel fundamental que é a fiscalização dessas terras indígenas", disse.

Yura Marubo enfatiza que ainda hoje, a Univaja irá realizar uma reunião com os seus membros, para definirem uma melhor forma de atuarem na região da Comunidade ribeirinha São Rafael, com 20 integrantes. Já nesta quarta-feira, está prevista um segundo encontro com órgãos como o Ministério Público, Polícia Federal e Forças Armadas, para relatarem os suspeitos de realizaram ameaças no Vale do Javari.

"Antes deste caso acontecer, nós já havíamos convocado as autoridades para tratar essa questão das ameaças sofridas pelos nossos coordenadores. Todavia não compareceram, o que nos causou muita estranheza, uma vez que se trata de uma área federal. Terra indígena é uma área federal e as autoridades constituídas deveriam pelo menos, estarem lá para receber essas informações, o que não ocorreu", revelou.

PRESSÃO INTERNACIONAL

Ainda segundo o assessor jurídico da Unijava, Yura Marubo, com a intensificação nas buscas por Bruno Pereira e Dom Philips, ele acredita que ainda nesta semana, será possível dar uma reposta à população internacional e também aos familaires do inglês e do indigenista.

"Eu tenho a plena certeza que com a equipe que está chegando, das Forças Federais e Estaduais, a gente possa ajudar ainda mais e trazer o esclarecimento para as suas famílias, como também para as pessoas que convivem e que conhecem o Bruno e com o Phillips", disse.

Entretanto, esse reforço não esconde o descontento do assessor, para com a demora da mobilização das autoridades para auxiliarem nas buscas. No dia do desaparecimento, a Unijava acionou a Polícia, Militar Civil e Federal, o Corpo de Bombeiros, como também o Exército e a Defesa Civil de Atalia do Norte.

Segundo o Yura, o reforço somente ocorreu, porque a imprensa internacional e Governo da Inglaterra pressionaram o Itamaraty sobre as buscas na região do Vale do Javari e avaliou a reação como tardia.

"O retorno foi tardio. Nos fizemos as buscas durante a segunda-feira (6) e somente depois da imprensa internacional divulgar o desaparecimento, é que as autoridades tomaram a ciência da dinâmica do que estava acontecendo. Ou seja, eles foram forçados a adentrar e fazerem as buscas por completo. O caso o orreu no domingo de manha e somente hoje, o Estado tomou uma atitude", afirmou.

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