DECLARAÇÃO

“O Brasil de norte a sul é território indígena”, afirma Liderança indígena Marcivana Saterê

fala aconteceu na roda de conversa ‘Amazônia: Desafios do século XXI’ promovido pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES)

Malu Dacio
online@acritica.com
10/06/2022 às 19:50.
Atualizado em 10/06/2022 às 19:50

(Foto: Reprodução)

Marcivana Saterê, da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) defendeu que o Brasil de norte a sul é território indígena e que os povos indígenas vivem tempos muitos difíceis. A fala aconteceu na roda de conversa ‘Amazônia: Desafios do século XXI’ promovido pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), nesta sexta-feira (10).

“Nossa luta do século XXI tem sido para garantir os nossos territórios e o reconhecimento dos novos territórios de onde nós estamos, hoje. Vivemos tempos muitos difíceis para os povos indígenas. São tempos de retrocesso, tempos de ataque contra os territórios”, afirmou a liderança indígena.

Marcivana lembrou que 725 territórios indígenas estão em diferentes processo de demarcação no Brasil, 487 foram homologados e mais de 230 ainda encontram-se engavetados.

O comitê Amazonas Pré- Fospa, ao propor a roda de conversa debate a necessidade de ampliar o diálogo e o debate dos desafios na região Amazônica.

“Os povos têm lutado por conta própria e tem lutado pelo reconhecimento. E principalmente aqueles que hoje estão na cidade. Quero reforçar o direito a cidade. 35 mil indígenas, 49 povos diferentes com 36 línguas faladas estão em Manaus. É preciso também que nesse século possamos perceber essa presença e a invisibilidade pelos sistemas de governo. Os indígenas também fazem dessas cidades os seus territórios, que na verdade são os seus territórios”, defendeu.

Quatro desafios em lista

A professora Dra. do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas, Marilene Corrêa afirmou que a Amazônia não é só um problema político e econômico para o Brasil da classe dominante. 

“A Amazônia é um desafio contínuo para a imaginação científica e política de todos os brasileiros. E quando eu falo de todos eu falo de todos, mesmo. Independente de como a classe dominante nos considera. De quinta, quarta ou de sexta categoria, não interessa”, criticou.

A professora listou quatro desafios principais da Amazônia no Século XXI. “É um desafio porque se nós não tivermos esse entendimento, de que a Amazônia não é igual aos outros processos de formação regional do Brasil, que ela teve inúmeros problemas de ordem da colonização até a ordem nacional, nós não conseguimos avançar muito. É um problema para imaginação científica e  política de todos os brasileiros”, disse.

O segundo, de acordo com Marilene é que a região amazônica propriamente dita põe um desafio e dificuldade ao entendimento científico dentro da mesma cultura amazônica. “Significa dizer que entre os saberes da tradição, dos povos originários, das influências religiosas, das representações coloniais, e da ciência ocidental, dentro desse mesmo campo nós temos um desafio de compreensão muito grande”, defendeu a professora..

Para a professora o terceiro ponto seria o fato de nós ainda somos herdeiros de alguns conceitos de desenvolvimento da Amazônia que precisamos superar. “Há mais de 50 anos nós nos preocupamos com um tipo de desenvolvimento inclusivo e extensivo a todos que não combina com a lógica do desenvolvimento do capitalismo porque ele é de uma outra natureza. Ele traz uma outra implicação na compreensão científica, política e na nossa intervenção como cidadãos”, completou.

Por último, a professora destaca que as contribuições científicas, políticas e dos saberes populares que são provenientes de consultas, de comunidade de pesquisadores, de ONGs, e interlocutores dos setores produtivos, localizam nichos de interesse que passam por uma preocupação muito grande de combinar um diálogo entre as vozes da tradição, dos sentimentos, das emoções e as vozes de embasamento científico. 

“De um apoio tecnológico sustentável porque isso pode ser decisivo diante do quadro climático que o planeta atravessa e diante da lógica pela qual a Amazônia foi inserida no debate ambiental”, defendeu.

“Nós retrocedemos praticamente 50 anos De algum avanço de uma sociedade democrática mais ou menos estável”, finalizou.

Egydio Schwade do CIMI, Marcivana Saterê, da A Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Marcus Barros, pesquisador e infectologista, Alíria Noronha com mediação de Socorro Papoula estiveram no evento.

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