Meio Ambiente

Nova espécie de rã é encontrada

Anfíbio é do tamanho de uma unha e é catalogada em florestas ao longo da BR-319, entre Amazonas e Rondônia

Karol Rocha
karol.rocha@acritica.com
13/11/2022 às 15:28.
Atualizado em 13/11/2022 às 15:28

Pesquisadores descobriram que a espécie é encontrada em floresta preservada e não se adapta em áreas desmatadas (Foto: Divulgação)

Uma nova espécie de rã que, quando adulta é do tamanho de uma unha, está sendo estudada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Manaus.

Ela foi encontrada em florestas ao longo da BR-319, a rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e o pouco que se sabe sobre a espécie, até então, é que a pequena rã Phyzelaphryne sp. tem aproximadamente 1,5 centímetros de comprimento, possui hábitos terrestres e seu canto é similar a de grilos. 

Outra descoberta é que ela se encontrada em florestas preservadas, e não consegue sobreviver em áreas desmatadas.

“Sabemos um pouco sobre sua distribuição geográfica, ou seja, sobre onde ela pode ser encontrada na natureza. A nova espécie pode ser encontrada em uma grande região de florestas entre o rio Madeira e o rio Purus, indo desde o Careiro Castanho até a região de Porto Velho”, explicou o pesquisador de pós-doutorado do Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard, Miquéias Ferrão.

Ele é o co-orientador do trabalho acadêmico de mestrado em Ecologia de Eduardo Moreno, pesquisador do Inpa, e afirma que o pouco que se sabe da nova espécie é resultado dos estudos de Moreno. De acordo com Ferrão, outra informação interessante sobre a pequena rã são seus hábitos terrestres.

“Sabemos também que a espécie tem hábitos de vida crepuscular, estando em atividade principalmente entre o meio da tarde e o início da noite. E o canto da espécie nova se parece muito com o som feito por grilos”, comentou.

Segundo o estudioso, a nova espécie foi encontrada primeiramente em 2011 pela pesquisadora doutora Albertina Lima (Inpa) em uma área de estudos de longa duração localizada no quilômetro 168 da BR-319. Entre 2012 e 2014, Ferrão e o pesquisador doutor Rafael de Fraga (Ufopa) encontraram a espécie em outras nove áreas de estudos localizados ao longo da BR-319. Nesta mesma época, a pesquisadora Albertina achou a espécie na região das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Porto Velho (RO).

No entanto, até então, a pequena rã ainda é desconhecida para a ciência. Ou seja, será necessário informações mais detalhadas da nova espécie e assim batizá-la com um nome oficial. “O próximo passo é descrever formalmente esta espécie para a ciência, ou seja, dar um nome oficial para ela e dar informações detalhadas sobre sua morfologia e sobre seu canto”, destacou Miquéias Ferrão, sobre o andamento do estudo.

Semelhança com outra rã

A nova espécie é muito similar a outra pequena rã, chamada: Phyzelaphryne mariamae. Ela também ocorre ao longo da BR-319. Segundo os estudiosos, na ciência, quando duas espécies são muito similares entre si, pode-se esperar que elas tenham as mesmas necessidades ambientais.

Quando isso acontece, em muitos casos uma espécie pode competir com a outra por algum recurso ambiental, levando a espécie competidora mais fraca à extinção local. No entanto, essas duas espécies ocorrem juntas na BR-319 e nenhuma delas pôde eliminar a outra.

Conforme as observações dos pesquisadores, uma explicação para isso é que ambas usam ambientes diferentes. A espécie Phyzelaphryne mariamae ocorre principalmente nos locais com pouca chuva, enquanto a nova espécie, a Phyzelaphryne sp., não apresentou nenhuma preferência pelas características do ambiente utilizadas no estudo.

“Em um olhar rápido, as duas espécies são muito parecidas. Ambas são espécies muito pequenas, de cor marrom ou acinzentada, que vivem nas folhas caídas no chão da floresta. Entretanto, é possível achar pequenas diferenças na morfologia do corpo quando analisamos as duas espécies mais de perto”, afirmou Miquéias Ferrão. Entre os exemplos de diferença de morfologia estão que a espécie nova é um pouco menor do que a espécie já conhecida, Phyzelaphryne mariamae.

“Mas a forma mais fácil de diferenciar as duas espécies é pelo som que os machos fazem para atrair as fêmeas no período da reprodução; chamamos esse som de canto de anúncio”, apontou ele. De acordo com Ferrão, os sons são diferentes e cada um tem uma característica.

“O canto da espécie nova se parece muito com o som feito por grilos, podendo confundir até mesmo pesquisadores que não estão familiarizados com o canto. Já o canto da espécie conhecida se parece mais com o de um estalar de dedos”.
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