Novo estudo

Garimpo ilegal de ouro na Amazônia brasileira cresceu 44% em 2021

Das 112 toneladas de ouro produzidas no Brasil em 2021, pelo menos 7% eram de origem ilegal e 25% de origem potencialmente ilegal, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pela UFMG

AFP
07/09/2022 às 22:51.
Atualizado em 07/09/2022 às 22:51

Centenas de balsas de garimpo ilegal invadiram trecho do rio Madeira a apenas 120 km de Manaus (Silas Laurentino - 23/nov/2021)

RIO DE JANEIRO - A alta valorização do ouro no mercado internacional alimentou o crescimento da mineração ilegal no Brasil, em grande parte na Amazônia, de acordo com um estudo divulgado na terça-feira.

A mineração de ouro no Brasil, 14º maior produtor mundial do metal no ano passado, disparou desde que a pandemia de coronavírus levou os preços internacionais a níveis recordes.

Das 112 toneladas de ouro produzidas no Brasil em 2021, pelo menos 7% eram de origem ilegal e 25% de origem potencialmente ilegal, segundo um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"De 2020 para 2021 houve um aumento de 44% na quantidade ilegal de ouro" produzida no país, completa o estudo, que constata uma tendência similar nos primeiros seis meses de 2022.

Os altos preços estão alimentando a corrida pelo ouro na Amazônia brasileira, onde o desmatamento para mineração atingiu um recorde de 121 km² no ano passado, segundo o sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O estudo da UFMG revela que pelo menos 23% do desmatamento para mineração na Amazônia, bioma considerado fundamental para conter as mudanças climáticas, ocorre dentro de reservas indígenas, áreas de conservação ambiental e outras terras protegidas por lei.

Garimpeiros ligados ao crime organizado são acusados de inúmeros abusos em comunidades indígenas, incluindo envenenamento de rios com o mercúrio usado para separar ouro de sedimentos e, às vezes, ataques mortais a moradores.

O estudo indica que 98% da mineração ilegal de ouro no Brasil está concentrada em três municípios do norte do Pará, afetando principalmente terras indígenas dos povos Kayapó e Munduruku.

Junto com a crescente pressão internacional enfrentada pelo governo de Jair Bolsonaro devido à destruição acelerada da Amazônia, procuradores federais entraram com recursos judiciais para exigir que o governo adote controles mais rigorosos para combater a mineração ilegal.

Os promotores avaliam que a mineração ilegal causou entre janeiro de 2021 e junho de 2022 um custo de 39 bilhões de reais em prejuízos socioambientais, segundo o estudo.

Esse valor quase alcança o lucro total obtido com a venda de ouro no mesmo período, de 44,6 bilhões de reais.

Já os impostos arrecadados pelo governo com a mineração do ouro representam menos de 2% do valor dos prejuízos.

"Na Amazônia, a gente tem um prejuízo que é coletivizado, socializado e o lucro dessas operações se concentrando em poucos atores", conclui o engenheiro Bruno Manzolli, principal autor do estudo da UFMG, à AFP.

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