A todo vapor

Dragas de garimpo ilegal voltam a descer o rio Madeira meses após operação federal

Balsas nunca saíram da região, segundo moradores, mas ficavam em áreas mais escondidas do afluente. Agora, voltam a subir o rio

Waldick Júnior
online@acritica.com
11/07/2022 às 17:00.
Atualizado em 11/07/2022 às 17:00

(Foto: Reprodução/Alex Ximango)

Dragas de garimpo ilegal voltaram a descer o rio Madeira, no Amazonas, e já estão na mesma região em que foram interceptadas por uma operação da Polícia Federal e Ibama que queimou mais de 131 balsas em novembro do ano passado. Moradores de Nova Olinda do Norte e de Autazes, ambos municípios à margem do afluente, confirmaram para A CRÍTICA movimentações no rio. Em novembro do ano passado, A Crítica revelou o esquema ilegal de garimpeiros que se concentraram no trecho do rio para minerar. 

“Moro acima de Nova Olinda e ontem eles passaram aqui. Contamos umas 15 balsas. Vai começar o inferno novamente. Eles dizem na cara de qualquer um que já estão legalizados”, relatou uma moradora da região que optou por não se identificar.

Do mesmo modo, uma fonte que possui draga operando no rio Madeira também confirmou a informação. “São umas quarenta dragas”, disse, preferindo não conceder mais informações. Ela é uma das pessoas que estava no afluente em novembro passado, quando o caso de exploração de ouro na região ecoou na imprensa do país. Outro garimpeiro afirmou que as dragas não estão próximas à comunidade Rosarinho em Autazes, mas sim na região de Nova Olinda do Norte, mais abaixo no rio. 

A nossa reportagem também conseguiu acesso a um grupo de garimpeiros do rio Madeira no Facebook. Em publicações datadas de junho e julho, os extratores do ouro compartilham a rotina nas dragas em imagens e vídeos das balsas navegando pelo afluente. O administrador do grupo chegou a escrever “chegou o verão” em uma publicação de 15 de junho que mostrava dezenas de dragas espalhadas no rio. 

No mesmo grupo, há também várias publicações recentes de pessoas em busca de trabalho nas dragas. “Galera, estou em busca de alguma vaga. Já trabalhei na draga Colosso, aprendi a operar um pouco lá. Quero a oportunidade de amança.. Sou soldador”, publicou um morador de Porto Velho (RO), por onde o rio Madeira também corre. Há também mulheres que dizem buscar trabalho de cozinheiras, um “setor” dentro das balsas de garimpo. 

Moradores ouvidos pela reportagem ressaltaram que as dragas nunca foram embora após a operação da Polícia Federal no ano passado, mas apenas se esconderam em áreas menos visadas, como no distrito de Axinim, que fica no município de Borba, também no rio Madeira. “Essas operações não adiantam de nada. Lá no Axinim tem um garimpeiro chamado Paulinho. Ele até fez uma balsa nova porque a outra dele tacaram fogo”, disse uma fonte. 

A reportagem questionou o prefeito de Autazes, Andreson Cavalcante, sobre se a gestão municipal já havia sido informada sobre a volta das balsas de garimpo. Ele respondeu apenas que não estava sabendo, mas que ia pedir uma verificação. 

Também entramos em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e com a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas (PF-AM), e perguntamos se já há alguma medida sendo tomada por parte das forças de segurança para coibir o avanço das dragas. Porém, ainda não obtivemos retorno.

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