DESTRUIÇÃO DESENFREADA

Desmatamento na Amazônia cresce 54% e atinge pior abril dos últimos 15 anos

Início do período de seca serve de alerta para que ações sejam tomadas antes que a estimativa da PrevisIA de 15 mil km² de devastação se concretize

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11/05/2022 às 10:22.
Atualizado em 11/05/2022 às 10:22

Em abril de 2021, um sobrevoo do Greenpeace já tinha mostrado a expansão do garimpo na terra Yanomami, que um ano depois foi o segundo território indígena mais desmatado de toda a Amazônia (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

A Amazônia está cada vez mais perto de sofrer com um novo recorde anual de desmatamento. Porém, ainda há tempo para reduzir a perda de floresta antes que o chamado “calendário do desmatamento” encerre, no final de julho. E a hora de agir precisa ser agora, pois em maio inicia o período de seca na região, quando a maior parte da devastação do ano costuma ser registrada.

Apenas em abril, último mês da “estação chuvosa”, o chamado “inverno amazônico”, uma área de floresta do tamanho da cidade do Rio de Janeiro foi posta abaixo no bioma. Os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) detectaram uma perda de 1.197 km², 54% a mais do que o registrado no mesmo mês de 2021. Com isso, a região teve o pior abril dos últimos 15 anos, desde que o instituto iniciou o monitoramento por satélites, em 2008.


Esses dados servem como um sinal de urgência para que ações sejam implementadas antes que a estimativa de 15 mil km² derrubados entre agosto de 2021 e junho de 2022 vire realidade. A previsão é da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, que vem se mostrando uma ferramenta assertiva ao indicar as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia.

Isso porque, de toda a área de floresta derrubada nos últimos nove meses, 75% estava em um raio de até 4 km do ponto estimado pela plataforma. Para avaliar essa assertividade, pesquisadores do Imazon, instituição responsável pela geração de dados da PrevisIA, cruzaram as áreas que a ferramenta indicou estarem sob risco de devastação entre agosto de 2021 e julho de 2022 com o desmatamento já detectado pelo SAD entre agosto e abril.

“Essa análise nos mostrou que a plataforma pode auxiliar muito para evitar a derrubada da floresta e ainda gerar economia de recursos e de tempo para os órgãos públicos que têm como missão proteger a Amazônia, pois indica assertivamente para onde direcionar os esforços de prevenção. Esperamos que a PrevisIA erre, pois queremos que seus dados possam ajudar a orientar ações efetivas para evitar desmatamentos. Porém, infelizmente, estamos vendo a previsão se tornar realidade”, lamenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.

E isso lembrando que os dados SAD e outros monitoramentos mensais geram uma estimativa conservadora do desmatamento, pois precisam usar as imagens do mês analisado, que podem sofrer mais com a interferência de nuvens. A PrevisIA estima o número do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz uma leitura anual da derrubada da floresta, podendo escolher imagens com menos interferências de nuvens do que os sistemas mensais.

Território Yanomami ocupa topo do ranking de risco

Terra indígena onde os moradores têm clamado por ações contra as invasões de garimpeiros e denunciado uma série de crimes dos quais estão sendo vítimas, a Yanomami, localizada nos estados de Roraima e do Amazonas, ocupa o topo do ranking de risco da PrevisIA. E, em abril, foi o segundo território indígena mais desmatado na Amazônia conforme o SAD, com uma área de floresta derrubada equivalente a 100 campos de futebol.

Já em relação aos estados, Mato Grosso foi o que mais desmatou pelo quarto mês consecutivo, com 372 km² derrubados, 31% de toda a destruição registrada na região. Em segundo lugar ficou o Amazonas, com 348 km² desmatados (29%), e em terceiro o Pará, com 243 km² (20%). 

Porém, se levarmos em conta o período de agosto de 2021 a abril de 2022, os primeiros nove meses do chamado “calendário do desmatamento” da Amazônia, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, é o Pará que lidera com 38% do desmatamento acumulado. No estado, há um problema grave em relação ao aumento da devastação dentro das áreas protegidas.

“Em abril, por exemplo, 40% de toda a devastação registrada no Pará ocorreu apenas dentro de cinco unidades de conservação: 95 km². Por isso, é necessário intensificar as ações de proteção nesses territórios, que foram criados justamente para que a floresta fosse conservada, o que não está ocorrendo”, alerta a pesquisadora Larissa Amorim.


Sobre a PrevisIA

Com uma metodologia desenvolvida a partir de pesquisas na área de predição de risco do Imazon, publicadas em revistas científicas internacionais, a PrevisIA analisa diversas variáveis para apontar as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia. Entre elas estão topografia, categoria do território, histórico do desmatamento, infraestrutura urbana, distância para estradas e dados socioeconômicos. Além disso, a ferramenta conta com um algoritmo de inteligência artificial criado pelo Imazon para detectar e monitorar as estradas abertas na Amazônia, que têm um grande peso na análise do risco da devastação.

Lançada no ano passado a partir de uma parceria entre o instituto, a Microsoft e o Fundo Vale, a plataforma estimou um desmatamento de 15 mil km² para o período de agosto de 2021 a julho de 2022. Essa área foi dividida em um mapa com cinco classificações de risco: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto.

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