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Coração de estudante bate forte outra vez

As manifestações estudantis nos Estados Unidos e em países da Europa neste abril de 2024 seguem como rastilho de pólvora

Ivânia Vieira
01/05/2024 às 09:50.
Atualizado em 01/05/2024 às 09:50

(Foto: Reprodução)

Zuenir Ventura (92) tem razão. 1968 não terminou. As manifestações estudantis nos Estados Unidos e em países da Europa neste abril de 2024 seguem como rastilho de pólvora. A repressão prendeu mais de mil jovens, somente nos EUA, enquanto os estudantes impõem outra pauta na pauta hegemônica dos comandos do mundo.

Não ao financiamento da guerra que implica, nesse item, a luta por liberdade para a Palestina. São estudantes de mais de 20 universidades estadunidenses em protestos contínuos. Na Europa, a partir da França, as manifestações avançam. Cartazes, faixas, bandeiras espalham o texto nas paredes, nas janelas, no chão, nos corpos.

Nessa guerra, quando as potências do mundo, a parir dos EUA, entregaram ao primeiro ministro Benjamin Netanyahu o passaporte para a matança na Palestina, é pelas mãos dos estudantes, mais uma vez, que a história escreverá outras páginas: quais são os financiadores dos armamentos e da guerra? Onde estão e como são utilizados, pelas universidades, os recursos financeiros destinados às pesquisas nessas instituições? Que nível de transparência é utilizado pelas universidades no manejo desse dinheiro? 

Em 1968, a Ku Klux Klan permanecia poderosa, autorizada a praticar barbaridades contra os negros. A guerra no Vietnã, os protestos estudantis na França asfixiada pelo ditador Charles De Gaulle; a passeata dos cem mil no Rio de Janeiro em um Brasil sob ditadura do general Arthur da Costa e Silva, a sexta-feira sangrenta, cujas mortes até hoje não esclarecidas, são alguns dos acontecimentos.

Há 56 anos, os protestos estudantis e, em seguida, os de trabalhadores, a partir da França, sacudiram o mundo e forçaram outros acordos, outras condutas, brotadas do sangue de milhares de inocentes utilizados como joguetes em negócios dos governantes do mundo.

Os estudantes universitários voltaram a gritar neste século e no abril deste ano diante da determinação reafirmada por Netanyahu de prosseguir a destruição da Palestina e da “tentativa” dos apoiadores dessa ação de, supostamente, apresentar uma proposta para a qual o ministro israelense diga sim. Este tem avisado, sem rodeio, que não irá parar.

Ignora o clube de governos apoiadores. A mídia hegemônica no mundo e no Brasil agiu para referendar a política do primeiro-ministro, acossado por denúncias e popularidade despencando, hoje, tem dificuldade para encontrar os adjetivos possíveis de uso na descrição das cenas de horror.

O mundo assiste, em tela grande, sentado no sofá, ou na pequena tela, na palma da mão, os mais de um milhão de palestinos encurralados em Rafah, à espera da morte ou de um acerto entre agências internacionais, governos e os donos dos mercados financeiros globais. No coração de estudante mora outra batida. Que o som dela, multiplicado nesses protestos, ecoe bem longe e restabeleça a rede onde outra humanidade deseja ser embalada e crescer.

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